O presidente do Fórum para a Competitividade, Pedro Ferraz da Costa, considera que o melhor programa cautelar que Portugal seria ter um acordo entre PS, PSD e CDS com objetivos a 10 anos.

«O melhor programa cautelar que o país poderia ter era um acordo entre o PS, o PSD e o CDS que determinasse objetivos de política económica e de política orçamental para os próximos 10 anos», defende o empresário em entrevista à Lusa.

Para o presidente do Fórum para a Competitividade, essa solução «daria muito mais estabilidade aos atuais agentes económicos, aos potenciais investidores e aos credores internacionais», até porque precisamos «de fazer um grande esforço de investimento» e «vamos precisar de mais

financiamento do que o que temos atualmente».

O antigo líder da Confederação da Indústria Portuguesa confessa não saber se esse acordo é ou não possível e que os vários períodos eleitorais que se aproximam são um perigo para Portugal.

«O problema mais perigoso para Portugal é o facto de irmos entrar num período com imensas campanhas eleitorais. Vamos ter europeias, legislativas, presidenciais, e tudo isso faz com que a atenção seja muito desfocada da resolução dos problemas de médio e longo prazo».

Ferraz da Costa lembra que tem ouvido ao longo dos anos muitas conversas sobre a necessidade de acordos de regime que, no entanto, nunca se produziram, mas adverte que há muitas áreas «onde os problemas só se podem resolver a prazo longo» e para isso «é preciso ter acordos alargados».

O líder do Fórum para a Competitividade exemplifica que a reforma do IRC teve aspetos positivos para «favorecer a internacionalização das empresas», mas que quanto à taxa o «progresso vai ser muito lento».

«O mercado interno é pequeno e não estamos a conseguir

Investimento Direto Estrangeiro (IDE)», lembra.

É também por isso que Ferraz da Costa diz que «devíamos ter um programa a dez anos para alterar várias coisas, com prioridades bem definidas, com calendários e com um acordo político entre PS, PSD e CDS que levasse à execução dessas medidas».

O líder do Fórum diz que ficaria mais otimista se esse acordo existisse e que preferia «não assistir a esta luta destrutiva que tem existido entre os partidos do arco da governação em que quem está na oposição ataca sistematicamente as medidas de que quem está no Governo sabendo que se estivesse no Governo também teria de as tomar».

E deixa um repto a António José Seguro: «Está na altura de o secretário-geral do PS mostrar algum sentido das realidades em relação ao que vão ser os próximos anos. Isso é obrigatório».

Ferraz da Costa lembra que «não temos recursos internos nem capital para podermos prescindir de IDE», que este investimento «é se calhar o único arranque com alguma dimensão para a criação de empregos», mas interroga-se: «O que é que dizemos aos investidores estrangeiros. Não ligue ao que dizem os líderes partidários porque eles são uns patetas. Este comportamento não é aceitável».

Até porque, prossegue o empresário, «o que era normal, neste momento, era o PS esperar que este Governo pudesse resolver uma data de problemas complicados, pagasse os custos políticos disso, e lhe permitisse, quando estivesse no Governo já ter algumas coisas mais resolvidas».