No 60º aniversário da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, Paulo Portas manifestou-se como um «firme adepto da economia social do mercado de que a Alemanha é exemplo» e que resume a história de sucesso do país nos últimos 60 anos.

O vice-primeiro-ministro elogiou hoje o modelo social de partilha de responsabilidades e os objetivos entre trabalhadores e empregadores na Alemanha, referindo que «vale mais uma boa negociação do que dez mil manifestações». Se os empregadores e os trabalhadores forem capazes de dialogar é possível «chegarem a resultados», disse o governante.

Esperava-se que a pontualidade alemã motivasse Paulo Portas a chegar a horas, mas já passavam 15 minutos da hora marcada quando o Vice-primeiro-ministro português desceu as escadas do pequeno auditório do CCB.

«Quem para perde, quem avança ganha. Portugal não parou», disse o vice-primeiro-ministro. Aos olhos de Paulo Portas e dos números que acompanharam o seu discurso, «parece evidente que o investimento progride e que as empresas portuguesas estabelecem cada vez mais relações com o parceiro alemão».

Estas relações traduzem-se no aumento das exportações porque, segundo o vice-primeiro ministro, a Alemanha é o segundo parceiro comercial e a soma das exportações de bens e de serviços para aquele país chega «aos 7,5 mil milhões de euros» pelas contas apresentadas por Paulo Portas.

De acordo com as declarações do vice-primeiro ministro, «os portugueses vêem com bons olhos os investimentos aos novos projetos, como é exemplo a Autoeuropa». É com base nesses investimentos que revela que «Portugal aproveitou a crise para fazer reformas e vai continuar a fazê-las».



Dessas reformas salientam-se a redução do IRC, um projeto de quatro anos que pretende atrair empresas estrangeiras, e a reforma laboral do trabalho, outro atrativo aos investidores. No tocante às reformas do IRC, este ano já se verificou uma quebra dos 25% para os 23. No entanto, até 2016, estima-se que esta taxa possa descer atá aos 17%.

Mas, se a mão-de-obra qualificada está a abandonar o país, qual a mão-de-obra que as empresas estrangeiras vão encontrar quando chegarem a Portugal? O Presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, acredita que o objetivo principal destas iniciativas é, precisamente, «criar as melhores condições para a fixação da mão-de-obra jovem e qualificada», ficando por referir aquela que já atravessou as fronteiras do país.

Segundo o presidente da câmara se comércio e indústria luso-alemã, Bernardo Meyrelles, «o investidor alemão em Portugal distingue-se dos demais porque aposta na indústria mas não se esquece dos empresários nem da mão-de-obra portuguesa». É por isso que, para Paulo Portas, «é mais forte aquilo que nos une do que aquilo que nos separa».

A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã foi fundada em 1954 com o objetivo de eliminar os obstáculos às transações comerciais, nomeadamente no sector da maquinaria para a indústria, entre Alemanha e Portugal.