O presidente do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, sugeriu esta quinta-feira que a solidariedade com a Grécia faria disparar os juros da dívida portuguesa e desceria a confiança no país.

Numa intervenção na abertura das «jornadas do investimento», promovidas pelo PSD e CDS-PP, ao lado do presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, Portas disse que o país não está «livre de incertezas» porque «há muitas crises no panorama internacional» que «representam riscos para a economia europeia e para as economias europeias como é a portuguesa».

«Uma boa pergunta em matéria de prevenção de riscos é esta: quem serve melhor a economia portuguesa? Quem soube proteger Portugal do contágio com situações de crise, que não dependem de nós mas nos podiam arrastar, ou aqueles que à primeira situação de crise noutro país correm a fazer solidariedade internacional que teria feito disparar os nossos juros e descer a confiança em Portugal?», interrogou.

Neste ponto do discurso, o presidente centrista não nomeou a Grécia, país relativamente ao qual, noutros passos da intervenção, quis vincar um contraste com Portugal, comparando os juros da dívida, por exemplo, e deixando mais questões.

«Alguém me consegue explicar a vantagem de misturar o que não deve ser misturado?», questionou.

Numa altura em que a celebração de uma coligação pré-eleitoral entre PSD e CDS-PP não está ainda definida, Portas quis falar das diferenças entre a maioria o PS, referindo-se às eleições legislativas como o «ano em que os portugueses democraticamente farão escolhas».

«Nós já sabemos, eu acho que todos os portugueses sabem, que a nossa maioria é muito melhor que o PS quando se trata de gerir finanças públicas, prudentes, razoáveis, sem irresponsabilidades. Mas nós também sabemos - porque foi o trabalho feito com o esforço dos portugueses que permitiu isso -, que a nossa maioria é bastante melhor do que os socialistas a promover o crescimento económico», afirmou.

«Nós acreditamos nas empresas, nós sabemos conter a despesa para poder fazer moderação fiscal, e nós sabemos que numa economia global quem não faz reformas não fica no mesmo sítio, atrasa-se, porque os outros entretanto avançam», acrescentou.

Paulo Portas abriu a sua intervenção declarando que Portugal está «verdadeiramente num ciclo político e económico diferente», afirmando que em 2011 o país tinha «um sério problema de défice e dívida» e «um sério problema de reputação internacional».

Segundo o vice-primeiro-ministro, Portugal era, então, incluído no lote dos ‘trouble-makers' (um criador de problemas), enquanto hoje é visto como ‘problem-solver' (aquele que resolve os problemas).

Portas referiu-se a 2011 como o tempo em que «um Governo português» que não o atual foi «em desespero, de mão estendida chamar a ‘troika', pedir dinheiro assinar o memorando», ao passo que o tempo deste Governo é o de ir de «cabeça erguida dizer ao FMI» para «fazer contas» e «poupar em juros».

O presidente centrista afirmou ainda que se o atual executivo tivesse seguido o conselho do que diziam que era preciso «mais tempo e mais dinheiro», hoje «a ‘troika' ainda cá estava».

«Estaríamos certamente a negociar um novo memorando, não conseguiríamos uma saída limpa e teríamos certamente arrastados nesta crise da Grécia», afirmou.