O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou esta segunda-feira que as afirmações da diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a austeridade não tiveram consequências na missão técnica da troika em Portugal.

«As ideias têm consequências, eu não dei muito pelas consequências das ideias da diretora-geral do FMI no decurso desta avaliação. Mas pode ser problema meu», afirmou Paulo Portas, na conferência de imprensa em que apresentou os resultados da décima avaliação ao programa de resgate português.

«Já falei pessoalmente com a senhora Lagarde e o problema da diferença entre a linguagem das lideranças políticas e as missões técnicas não é um problema novo. Estamos muito perto de deixar de ser um problema porque estamos muito perto do fim do programa», disse ainda o vice-primeiro-ministro.

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, admitiu numa declaração no Parlamento Europeu na semana passada que a instituição errou quanto aos efeitos da austeridade nos países europeus em maiores dificuldades.

Questionada sobre as consequências das políticas de austeridade recomendadas pelo FMI na situação económica e social dos países em maiores dificuldades, reconheceu que a instituição errou na hora de calcular esses efeitos no desemprego e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

«Como resultado, demo-nos conta que era necessário mais tempo para a aplicação dos programas a países (resgatados como é o caso da Grécia e Portugal)», apontou Lagarde.

Os resultados da décima avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF) foram apresentados pelo vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e pelo secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, na Presidência do Conselho de Ministros, em Lisboa.