O líder do CDS-PP classificou este sábado como «francamente positiva» a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de comprar dívida pública, considerando que o secretário-geral socialista fez uma "leitura apressada" do programa anunciado por Mário Draghi.

«A decisão do Banco Central Europeu é francamente positiva», afirmou o líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, em declarações aos jornalistas na sede do partido.

Sublinhando que se trata de uma decisão que visa evitar a deflação, melhorar o crescimento através do investimento e estimular a existência de reformas, Paulo Portas criticou a «leitura apressada» que o líder do PS, António Costa, fez sobre a matéria ao considerar que se tratou de «uma pesada derrota» política e doutrinária do primeiro-ministro.

Por um lado, referiu Paulo Portas, a decisão do BCE destina-se apenas a países que cumprem os objetivos ou que mostrem uma trajetória que visa cumprir os objetivos e, olhando à «partilha de riscos», verifica-se que «80% dos riscos ficam nos bancos centrais nacionais, 20% ficam a nível europeu e central", "o que é diferente da mutualização de que, por vezes, o PS fala».

«Finalmente há outro ponto decisivo: se Portugal tem seguido o conselho ou a posição do PS que era de pedir mais tempo ou pedir mais dinheiro, não tínhamos terminado o resgate, ainda tínhamos a troika cá dentro, teriam a pedir-nos um segundo memorando, estaríamos em cima da mesa com um programa cautelar, não poderíamos beneficiar desta decisão do BCE», sublinhou o líder democrata-cristão.

Questionado se a decisão do BCE não é contrária ao que o primeiro-ministro sempre defendeu, Paulo Portas não respondeu diretamente, repetindo apenas que o programa não se destina a países que não cumpram globalmente os objetivos e que se o caminho seguido tivesse sido o defendido pelo PS, o resgate não teria terminado e a ‘troika' ainda estaria em Portugal.

Além disso, acrescentou, o país não poderia beneficiar das decisões do BCE.

«Nem sempre dizer o que mais agradável de ouvir ou o que é mais popular dizer corresponde ao interesse nacional», cita a Lusa.