O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, telefonou a uma funcionária do Fisco de quem é amigo para ter acesso a informação relacionada com a sua declaração de IRS. A informação consta na ata de uma audiência no âmbito de uma auditoria da Autoridade Tributária (AT), a que o Diário Económico teve acesso. A funcionária só não explica de que questão se tratava.
 
A funcionária Maria Ivone Torrão, do Serviço de Finanças Amadora 2, admite que acedeu no início de Novembro do ano passado aos dados fiscais do primeiro-ministro, mas o acesso acabou por ser detetado no âmbito da lista VIP e foi alvo de uma investigação interna pela AT.
 
Mas quando questionada pelo Diário Económico, fonte oficial de São Bento nega que Passos tenha procurado obter "qualquer tratamento de favor" por parte da AT.
 

"A consulta efetuada resultou de solicitação do próprio através de contacto telefónico particular, do seu telemóvel para o meu, no sentido de o ajudar a perceber uma questão relacionada com a sua declaração de IRS", admite a funcionária, conforme o documento a que o jornal teve acesso.

 

"O facto de ter sido prestado o referido apoio, via telefone, somente ocorreu porque o contribuinte Pedro Passos Coelho é uma pessoa das minhas relações pessoais e de amizade", acrescentou ainda a funcionária.


Por outro lado, o Diário Económico perguntou ao gabinete do primeiro-ministro se este confirma o contacto feito à funcionária e se confirma a relação de amizade. 

"O primeiro-ministro não procurou obter qualquer tratamento de favor por parte da Autoridade Tributária e Aduaneira, nem solicitou informação privilegiada ou sigilosa acerca da sua situação fiscal a qualquer funcionário daquela instituição", respondeu Passos Coelho através de fonte oficial de São Bento.

"Tal como sucede a qualquer cidadão na sua relação com o Fisco, quando foi chamado a regularizar aspectos da sua vida contributiva, o primeiro-ministro fê-lo no estrito cumprimento da lei, sem qualquer subterfúgio, comportamento dilatório ou tratamento de favor", acrescentou. 

 
O acesso aos dados fiscais foi feito a 6 de Novembro e a funcionária foi ouvida pelos serviços de auditoria da AT.

O sindicato dos trabalhadores do Fisco conclui que o primeiro-ministro ignorava que a dúvida que pretendeu tirar ao telefone com a funcionária lhe valeria um alerta no sistema informático.