O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse esta quarta-feira que poderá negociar «uma linha precaucionária ou não» para Portugal no período após o final do programa de assistência económico-financeira, reiterando não existirem, para já, conversações com os parceiros estrangeiros. Isto apesar de o presidente do BCE ter admitido que o assunto já esteve em cima da mesa de discussão com o governo português.

«Não existe nenhuma negociação em curso visando a saída do programa por parte de Portugal. Compete ao Governo apresentar às instituições europeias a forma de saída do programa de assistência. O Governo português não estigmatiza nenhuma das possibilidades. Podemos vir a negociar uma linha precaucionária ou não», afirmou.

O líder do executivo da maioria PSD/CDS-PP respondia assim a perguntas do líder da oposição, o socialista António José Seguro, e do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, relativamente a afirmações recentes do presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi.

Draghi mostrou-se na segunda-feira reticente ao facto de Portugal ter uma saída limpa como a Irlanda, sugerindo um programa no período de transição até ao pleno regresso aos mercados. Na terça-feira, o presidente do BCE, Mario Draghi, afirmou que as autoridades portuguesas é que decidirão sobre um novo programa.

«A partir do final do mês de janeiro, no Eurogrupo, vamos trocar impressões com os nossos parceiros. O Presidente do BCE respondeu com elogios ao desemprego macroeconómico da economia portuguesa», contrariou Passos Coelho, explicando que as palavras de Draghi foram no sentido de que, «se for preciso ajuda, ela será garantida».