O primeiro-ministro apontou esta terça-feira como «prioridade» para o país a diminuição do stock de dívida para se pagarem menos juros e se «ter mais dinheiro» para políticas públicas, justificando que por isso é que «os cofres foram enchendo».

«Se queremos ter mais dinheiro para gastar mais nas políticas públicas não podemos gastar tanto em juros, mas para não gastar tanto em juros temos que diminuir a nossa dívida, temos que ir pondo de lado. Por isso é que os cofres se foram enchendo para pagar as dívidas do passado», afirmou o primeiro-ministro.

A expressão «cofres cheios» tinha sido usada pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, no dia 19 de março. A governante afirmava que Portugal pode satisfazer todos os compromissos «tranquilamente» e «durante um período prolongado». 

Em Braga para a inauguração das novas instalações da empresa Primavera Software, Pedro Passos Coelho disse que o país pode «olhar para o futuro ciente» que não se corrigiu «tudo duradouramente» ao mesmo tempo que advertiu que isso depende do que se fizer nos próximos anos.

O chefe do Governo de coligação PSD/CDS-PP defendeu ainda que o contexto em que Portugal se move agora é «muito mais esperançoso», porque se «inverteu» o ciclo que vinha do passado.

«Estivemos a pagar juros da dívida passada o que nos devia levar à conclusão que enquanto não tivermos um ‘stock’ de divida mais cá para baixo, que nos permita ter menos juros para pagar, não podemos descansar. Essa tem que ser uma prioridade do país porque sem isso não teremos mais dinheiro para a saúde, para a educação, para a ciência, para o apoio social, para as funções de soberania», apontou o primeiro-ministro.

Isto para no futuro, referiu Passos Coelho, se poder «investir mais, seja em poupança, seja libertando os portugueses de uma carga fiscal tão elevada ou em políticas públicas».

O primeiro-ministro deixou palavras de esperança explicando que se «inverteu» o «ciclo que vinha do passado» pelo que o Governo «está agora pronto para resolver outras situações» no futuro.

«Este é o contexto incomparavelmente mais esperançoso do que aquele que tivemos nos anos precedentes em que a generalidade das famílias, empresas e Estado andou, como se costuma dizer em calão, a desalavancar, a gastar menos porque não tinham dinheiro para gastar e isso criou, evidentemente, um estado de necessidade que começa agora a ser devidamente respondido», acrescentou.

«Estamos num contexto em que podemos olhar para o futuro cientes que não corrigimos tudo duradouramente. Isso depende do que ainda fizermos nos anos próximos», salientou.