O PSD e o CDS-PP apresentaram esta terça-feira as perguntas escritas ao primeiro-ministro na comissão de inquérito BES/GES, procurando saber, por exemplo, se Pedro Passos Coelho falou com a troika sobre o banco.

«Alguma vez reuniu ou discutiu com os membros da troika a questão do BES? Em caso afirmativo, que pontos estiveram em debate e quais as diligências adotadas?», interrogam os partidos da maioria num conjunto de perguntas a que a agência Lusa teve acesso.


PSD e CDS-PP entregaram hoje um rol de questões dirigidas a várias personalidades que responderão por escrito à comissão de inquérito, casos do primeiro-ministro, dos elementos da troika, do antigo comissário europeu Joaquin Almunia e do antigo presidente do Eurogrupo e atual presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker.

A Pedro Passos Coelho os partidos pedem detalhes de reuniões tidas com o ex-líder histórico do BES, Ricardo Salgado, e questionam se foi abordado por José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento e primo de Salgado, «sobre o tema BES/GES».

«Em caso afirmativo, qual o conteúdo dessa abordagem? Fez alguma diligência na sequência desse(s) contacto(s)?», questionam PSD e CDS-PP.


Aos representantes da troika - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - os partidos que apoiam o Governo falam do memorando de entendimento e das «grandes alterações no sistema financeiro» que este obrigou Portugal a conduzir.

«Consideram que as alterações introduzidas eram suficientes para prevenir situações como a do BES?», questionam os partidos, coordenados na comissão por Carlos Abreu Amorim (PSD) e Cecília Meireles (CDS-PP).

E prosseguem: «Quando e como tomaram conhecimento, pela primeira vez, de problemas no BES? Que diligências tomaram posteriormente? No âmbito do acompanhamento e monitorização das instituições financeiras que fizeram, foram alertados para eventuais problemas no BES? Por quem?».


O presidente da sociedade suíça Eurofin, Alexandre Cadosh, e o presidente do BCE, Mario Draghi, são mais alguns responsáveis que receberão em breve questões dos partidos da maioria para responderem por escrito.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».