Passos Coelho considera que a Grécia está pior agora, do que há seis meses, mas garantiu que espera que os gregos não tenham de abandonar a zona euro. As declarações do primeiro-ministro foram feitas esta segunda-feira, no encerramento das jornadas "Portugal nas tuas mãos", organizadas pela JSD.

"A Grécia está hoje em circunstâncias mais difíceis que há seis meses. Gostaria muito que a zona euro não tivesse de enfrentar nenhuma situação em que um país tivesse de abandonar o euro."


"O que se está a dizer, no fundo, é que se está a trabalhar arduamente para se conseguir chegar a um resultado positivo, mas que esse resultado positivo não está visível. Eu espero sinceramente que ele possa ser alcançado", declarou.

O chefe do Executivo afirmou que uma eventual saída da Grécia da zona euro é uma situação que "não interessa a ninguém".

"Não interessa a  ninguém na União Europeia. Não desejamos qualquer instabilidade, não temos nada a ganhar com isso."


"Nesta altura, está-se simplesmente a discutir se é preciso ou não um terceiro programa de ajuda à Grécia, porque a Grécia não tem dinheiro. A economia em vez de estar a recuperar, está outra vez em recessão, a receita fiscal está a desaparecer, as necessidades de financiamento do Estado estão a aumentar", descreveu.

Segundo Passos Coelho, uma saída da Grécia da zona euro "não interessa seguramente aos gregos, não interessa a ninguém na União Europeia, não interessa a Portugal, nem à Espanha, nem a Itália", que apontou como "países que do lado das flutuações das taxas de juro a dez anos por exemplo têm revelado maior sensibilidade a esse problema".

No entanto, e aproveitando para distanciar a situação de Portugal com a do país helénico, sublinhou que caso esse cenário seja colocado, Portugal já não está sob "stress financeiro" e saberá enfrentar "a volatilidade dos mercados".

"Se algum problema vier a acontecer nós não estamos nas mesmas dificuldades em que estivemos no passado. Estamos em circunstâncias que nos permitirão enfrentar a volatilidade dos mercados sem stress financeiro."


Apesar de defender que Portugal está mais capaz de enfrentar a instabilidade dos mercados, o primeiro-ministro dramatizou os efeitos a prazo de uma eventual saída de um Estado-membro da zona euro:

"Isso significaria que, com pressão financeira ou sem pressão financeira, tornar-se-ia mais fácil no futuro que alguém equacionasse uma saída da zona euro também. E esse pode ser um processo muito desagregador da própria União Europeia enquanto tal, porque como sabem o euro é um projeto liderante da União Europeia".


"Se começarmos por abrir essa caixa de pandora que é a de um Estado decidir que não é assim, isso levará com grande probabilidade a elementos de fratura política, de incerteza institucional que podem ser desagregadores da União Europeia. Portanto, nós preferíamos que esse problema não se pusesse, sobretudo numa altura em que ainda há tantos candidatos interessados em entrar para a União Europeia e, dentro desta, para a zona euro", concluiu.

As declarações de Passos Coelho sobre a Grécia acontecem no dia em que mais uma reunião do Eurogrupo terminou, em Bruxelas, sem acordo entre os gregos e os credores, apesar dos "progressos" nas negociações.

Após o encontro que reuniu os ministros das Finanças da zona euro, Maria Luís Albuquerque afirmou que espera que uma solução para a Grécia seja rapidamente encontrada

“Esperamos que haja um acordo tão cedo quanto possível e uma convocatória de um Eurogrupo extraordinário para poder fechar o acordo relativamente à situação da Grécia.”


O presidente do Eurogrupo avisou que a Grécia só receberá financiamento dos credores quando houver um acordo e as reformas começarem a ser executadas.