O primeiro-ministro disse este sábado que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o risco de pobreza, que afetava quase 2 milhões de portugueses em 2013, são um «eco» do que o país passou, mas não a situação atual.

«A notícia como eu referi que veio ontem divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística é um eco daquilo por que passámos, não é a situação que vivemos hoje, reporta àquilo que foi a circunstância que vivemos, nomeadamente em 2013 que foi, talvez, o ano mais difícil em que o reflexo de medidas muito duras tomadas ao longo do ano de 2012 acabaram por ter por consequência»


Pedro Passos Coelho falava em Fátima, discursando num almoço com os órgãos sociais da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), tendo referido que, nessa altura, «muitos dos beneficiários, muitos dos utentes, das famílias que suportavam uma parte dos apoios que eram canalizados para estas instituições viram-se numa situação de maior vulnerabilidade também», cita a Lusa.

«Foi indispensável, portanto, recorrer a muita criatividade, a muito trabalho de ampla generosidade destas instituições e, também, a um reforço de meios que o Estado teve de colocar à sua disposição para que pudéssemos ter preservado a coesão social»


Admitindo que «durante esses anos», houve «um risco de pobreza maior» e «setores sociais que ficaram mais pobres», o primeiro-ministro realçou que o país conseguiu «passar por esse processo sem aumentar as clivagens, as assimetrias na forma como os rendimentos estão distribuídos».

«Tivemos menos rendimentos todos, mas não tivemos mais dificuldades na forma como eles estavam distribuídos, tivemos até, em alguns aspetos, aqueles que tinham maiores rendimentos a dar um contributo maior do que aqueles que tinham menos», assinalou.

Para o chefe do Executivo, apesar de a «fase mais difícil» ter ficado ultrapassada, «ainda há riscos» que precisam de ser olhados «com muita atenção».

«O facto de o pior ter passado não quer dizer que não haja pessoas que estejam hoje ainda muito carenciadas, famílias que passam por grande vulnerabilidade», reconheceu Passos Coelho, apontando a «taxa de desemprego demasiado elevada» ou «pessoas que vivem em bolsas de pobreza que precisam da ação do Estado e da ação das instituições sociais».