A Turquia e a China estão entre os países que mais perderam pontos no Índice de Perceção da Corrupção 2014, documento divulgado esta quarta-feira pela organização não-governamental Transparência Internacional.

O Índice mostra que Portugal subiu este ano um ponto face a 2013 e é agora o 31º país mais transparente do mundo, num total de 175 países. 

Na 20.ª edição da Índice de Perceção da Corrupção, a maior perda de pontos em relação ao ano anterior foi da Turquia, com menos cinco pontos (64.º lugar - 45 pontos em 2014).

A seguir, com menos quatro pontos no ranking, Angola (161.º lugar - 19 pontos), a China (100.º - 36 pontos), o Malaui (110.º - 33 pontos) e o Ruanda (55.º - 49 pontos).

Mais de dois terços dos 175 países têm pontuação abaixo de 50, numa escala de 0 (percebido como altamente corrupto) a 100 (percebido como pouco corrupto).

Dinamarca no primeiro lugar da lista

A Dinamarca está em primeiro lugar da lista com 92 pontos, enquanto a Somália e a Coreia do Norte partilham o último lugar da tabela, com apenas oito pontos (ambos no 174.º)

As maiores subidas de pontos em 2014 são da Costa do Marfim (115.º- 32 pontos), Egito (94.º – 37 pontos), São Vicente e Granadinas (29.º – 67 pontos), com mais cinco pontos; e Afeganistão (172.º – 12 pontos), Jordânia (55.º – 49 pontos), Mali (115.º - 32 pontos) e Suazilândia (69.º – 43 pontos), com mais quatro pontos.

«O Índice de Perceção da Corrupção 2014 mostra que o crescimento económico é prejudicado e os esforços para travar a corrupção desvanece quando os líderes e funcionários de alto nível abusam do poder para se apropriar de fundos públicos», disse José Ugaz, presidente da Transparência Internacional, citado pela Lusa.

Para Ugaz, «funcionários corruptos desviam ativos ilicitamente para paraísos fiscais com absoluta impunidade».

«Países que estão no fundo do índice devem adotar medidas anticorrupção radicais em favor do seu povo. Os países no topo da tabela devem certificar-se de que não exportam práticas para países em desenvolvimento», complementou.

O relatório relatou que a corrupção e a lavagem de dinheiro são um grande problema em países em desenvolvimento, citando ainda os BRICS, nomeadamente na China, no Brasil e na Rússia.

O documento ainda refere que a Transparência Internacional está a apelar aos países que estão no topo do Índice de Perceção da Corrupção, em que a corrupção no setor público é limitada, que lutem para impedir e travar a lavagem de dinheiro e a corrupção em outros lugares e que queiram instalar-se sobretudo na Europa e nos Estados Unidos.

O Índice de Perceção da Corrupção, que avalia o setor público dos países, é composto por índices de corrupção de entidades internacionais consideradas credíveis, como o Banco Mundial.

No ano passado, 177 países e territórios foram analisados, mas em 2014 ficaram de fora o Brunei, a Guiné Equatorial (membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa/CPLP desde 23 de julho) e Santa Lúcia. Samoa foi incluído este ano no Índice de Perceção da Corrupção.