O montante da procura por Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável ultrapassou os 1.200 milhões de euros, ultrapassando a oferta de 750 milhões de euros e levando o Governo a admitir uma nova emissão destes instrumentos.

O resultado da subscrição pública das Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV), um instrumento de dívida pública de retalho a médio prazo que pretende captar a poupança das famílias, foi anunciado, esta terça-feira, na sede da bolsa de Lisboa, numa cerimónia que contou com a presença do secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, e da presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), Cristina Casalinho.

De acordo com os dados divulgados, foram 38.630 os investidores que subscreveram as OTRV entre 26 de abril e a passada segunda-feira, na sua quase totalidade (95%) residentes ou com estabelecimento em Portugal.

A emissão destes títulos tinha como objetivo inicial os 350 milhões de euros, mas acabou por ser aumentada para 750 milhões de euros. Ainda assim, o reforço foi insuficiente para satisfazer a procura, que rondou os 1.200 milhões de euros.

Não foi satisfeita toda a procura. Isso quer dizer que o Estado passará a ter aqui um novo produto. Quando o Estado fizer emissões olhará para este produto como olha para outros. Haverá outras oportunidades para os portugueses investirem mais neste produto”, afirmou o secretário de Estado Adjunto, do Tesouro e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix.

À margem da apresentação de resultados, e questionado sobre se o Governo estaria a ponderar uma nova emissão destes instrumentos, o secretário de Estado disse que esta procura significa que “há apetite” pelo novo instrumento.

Neste momento temos de ver, face à procura que tivemos e à estrutura dessa procura, e daquilo que são as necessidades de financiamento, como é que enquadramos este produto num plano de financiamento que está a ser preparado”, disse Ricardo Mourinho Félix.

O secretário de Estado apontou que essa possibilidade ainda “não está planeada”, mas “não está afastada”, afirmando que podem ser ponderadas novas maturidades (como 10 anos) e montantes (até 1.000 milhões de euros).

Por sua vez, a presidente do IGCP destacou que a procura pelas OTRV foi uma “manifestação de aceitação”, considerando que “a adesão que houve ao produto faz acreditar que ele pode ser repetido no futuro”.

Cristina Casalinho salientou ainda que “os investidores internacionais sempre se preocupam com a participação de investidores domésticos, quer no segmento de retalho, quer a nível de institucional, como uma manifestação de confiança na economia, mas também na capacidade de o Estado português cumprir os compromissos que assume”.

As OTRV são emitidas por um período de cinco anos, com reembolso em maio de 2021, dando aos seus titulares o direito a receber um juro variável, pago semestralmente, a uma taxa anual nominal bruta igual à Euribor a seis meses, acrescida de 2,20%, com uma taxa de juro mínima de 2,20%.

Cada subscritor podia investir no mínimo 1.000 euros e no máximo 1.000.0000 euros neste instrumento, sendo que a data de reembolso do capital será a 19 de maio de 2021.

Já o pagamento semestral de juros ocorrerá a 19 de maio e a 19 de novembro de cada ano.