Os estivadores deram esta sexta-feira início a uma greve que inicialmente ia durar dez dias, mas já foi alargada para 20. A paralisação abre assim uma nova guerra entre trabalhadores e operadores portuários, nomeadamente no porto de Lisboa, que deverá ser o mais afetado por esta greve.

O presidente do sindicato, António Mariano, diz que, se na segunda-feira começarem a receber trabalhadores precários, os terminais poderão ficar parados por tempo indeterminado.

“Sabemos que neste momento estão a decorrer processos de recrutamento e formação de trabalhadores para nos substituírem. A partir de amanhã [sábado], data em que caduca o acordo coletivo de trabalho, vão sentir-se à vontade para por trabalhadores estranhos à profissão a fazer o trabalho dos estivadores”


Se isso acontecer, explicou, “a greve aplicar-se-á em todas as operações realizadas em qualquer terminal”, adiantando que o sindicato teve este modelo de greve durante seis meses em 2013 e “só fez greve durante um dia, quando foram postos camionistas de fora a fazer o trabalho dos estivadores”.

 De acordo com o Sindicato dos estivadores, em causa está então o fim do contrato coletivo de trabalho, motivado pelo que os trabalhadores dizem ser as ‘negociatas’ feitas pelo porto de Lisboa.
 
O grupo Mota-Engil, gestor de diversos terminais portuários na capital, vendeu a sua posição a um grupo turco, numa operação que ainda aguarda luz verde da concorrência.
 
Em outubro, segundo o sindicato, os patrões comunicaram que o contrato coletivo de trabalho iria caducar ao fim de 60 dias.
 
Para os operadores portuários, esta é uma paralisação que ataca a viabilidade económica e põe em causa os postos de trabalho existentes, considerando ‘inaceitável’ o comportamento do Sindicato dos estivadores.

A greve estende-se aos portos de Setúbal e da Figueira da Foz para abranger cargas ou navios que possam vir a ser desviados do porto de Lisboa, devido ao contexto de greve.