O Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom (STPT) pediu uma reunião conjunta com a Altice, que pretende comprar a PT Portugal, já que o grupo «não responde inequivocamente» sobre as questões relacionadas com a redução dos efetivos.

A 30 de dezembro, o presidente executivo da Altice, Dexter Goei, enviou uma carta ao sindicato onde adianta que o grupo, caso concretize a compra da PT Portugal, «não tem intenção de adotar medidas que possam prejudicar o consenso» entre os funcionários e a administração, adiantando que a empresa está empenhada «em manter o diálogo ativo com as estruturas representativas dos trabalhadores».

No entanto, «o STPT considera que a carta/resposta da Altice não responde inequivocamente» às questões colocadas pelo sindicato, «relacionadas coma redução de efetivos, nomeadamente que essa redução a ser feita, se realizará através de acordos individuais com os trabalhadores como sempre sucedeu até hoje no Grupo Portugal Telecom», disse à Lusa fonte da estrutura sindical.

Esta situação «deixa em aberto o recurso a despedimentos coletivos», aponta, acrescentando que a Altice «não clarifica concretamente o alcance e viabilidade do projeto».

Tendo em conta que a assembleia geral de acionistas da PT SGPS, que tem uma participação na brasileira Oi, para votar a venda da PT Portugal está marcada para 12 de janeiro, «o STPT solicitou já uma reunião conjunta com os representantes da Altice para esclarecimento das questões mencionadas», adianta a mesma fonte.

«Desse esclarecimento dependerá a posição do STPT e seus associados face à decisão de venda da PT Portugal à Altice», apontou.

Desde de maio do ano passado, no âmbito do processo de combinação de negócios entre a Oi e a PT SGPS, que a operadora brasileira detém a totalidade da PT Portugal, empresa que tem o Meo, Sapo, entre outros serviços.

A Oi assinou com a Altice, dona da Cabovisão e Oni, um acordo definitivo para a venda da PT Portugal, depois do ativo ter sido avaliado em 7.400 milhões de euros, aguardando-se agora a decisão dos acionistas da PT SGPS sobre a sua alienação à multinacional francesa dentro de 10 dias, sendo que a empresa portuguesa tem direito de veto.

Na carta enviada ao sindicato, assinada por Dexter Goei e à qual a Lusa teve acesso, o grupo salienta que, «em resultado da rapidez com que este processo tem vindo a decorrer, bem como da dificuldade em concertar agendas com as respetivas chefias, a Altice encontra-se ainda a reunir informação que lhe permita conhecer em profundidade a PT Portugal, em particular no que diz respeito aos seus recursos humanos».

Na missiva, o grupo adianta que «não é um fundo de investimento, nem um investidor de capitais privados de curto prazo», muito pelo contrário, «a Altice aposta em investimentos estratégicos de longo prazo, modelo que pretende implementar» na PT Portugal.

«Estamos a desenvolver um modelo de telecomunicações pan-europeu e pretendemos que a PT Portugal constitua um dos seus alicerces», refere, adiantando que a sua aquisição irá dotar os ativos «de uma significativa estabilidade e flexibilidade financeira, que foram afetadas por determinados eventos que ocorreram nos últimos 12 meses».

A Altice «reconhece que o sucesso da PT Portugal se deve em grande parte à qualidade e competência dos seus trabalhadores e, por esse motivo, não tem intenção de adotar medidas que possam prejudicar o consenso entre os mesmos e a administração».

O grupo adianta que vai privilegiar «soluções negociadas e acordadas com os trabalhadores», salientando que irá cumprir as obrigações acordadas entre a PT Portugal e os seus trabalhadores no passado.

«A Altice pode assegurar que não tenciona vender qualquer ativo da PT Portugal, nem tão pouco encerrar os seus 'dataa centers' [centros de dados]», acrescentando que o objetivo é investir na empresa «de modo a exponenciar as suas competências e as dos seus trabalhadores».

A 30 de novembro, a Altice aumentou a oferta sobre a PT Portugal em 375 milhões de euros para 7.400 milhões de euros, depois de 03 de novembro ter proposto a compra dos ativos por 7.025 milhões de euros, excluindo o negócio em África.