A Terra Peregrin - Participações SGPS, da empresária angola Isabel dos Santos, anunciou este domingo o lançamento de uma oferta pública geral e voluntária sobre a Portugal Telecom (PT) SGPS, oferecendo 1,35 euros por ação.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Terra Peregrin, com capital social de 51.000 euros, representando por 600 ações ordinárias, «cujos direitos de voto são totalmente imputáveis a Isabel dos Santos e/ou uma ou mais sociedades», fez este domingo o anúncio preliminar de lançamento de oferta pública geral e voluntária da compra de ações representativas do capital social da PT SGPS.

«A contrapartida oferecida, a pagar em numerário, é de 1,35 euros por ação», adianta. Esta contrapartida representa um prémio de cerca de 11%, uma vez que na sexta-feira a PT encerrou o dia a desvalorizar 2,64% para os 1,217 euros por ação. A contrapartida oferecida totaliza cerca de 1,21 mil milhões de euros.

«É entendimento da oferente que a contrapartida se encontra devidamente justificada e é equitativa, tendo em conta a instabilidade e volatilidades acentuadas verificadas no preço de mercado das ações nos seis meses anteriores», considera a Terra Peregrin.

Para que a OPA seja considerada bem-sucedida, a empresa de Isabel dos Santos terá de adquirir pelo menos 50,01% das ações e dos direitos de voto correspondentes ao capital social da PT SGPS.

O intermediário financeiro da operação é a Caixa – Banco de Investimento.

OPA  tem como objetivo garantir a unidade do grupo PT

A oferta lançada pela Terra Peregrin sobre a Portugal Telecom (PT) SGPS tem como objetivo ter uma participação relevante na brasileira Oi e garantir a unidade do grupo PT, afirmou o porta-voz da empresária angolana Isabel dos Santos.

A oferta de compra é sobre a PT SGSP, que está cotada em bolsa e que detém uma participação de 25% da operadora brasileira Oi, além da dívida de quase 900 milhões de euros da Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo (GES), entretanto falida.

«O objetivo final é a aquisição de uma participação relevante, mas minoritária e não de controlo, no capital da Oi, permitindo a manutenção da unidade do grupo Portugal Telecom, reconhecendo e potenciando a capacidade tecnológica da empresa, ao mesmo tempo que é reforçada a capacidade da Oi num momento crítico do mercado de telecomunicações», explicou o porta-voz da empresária.

Esta oferta, «embora não tenha sido concertada previamente com a sociedade visada ou com a Oi, é positiva e colaborante», adiantou.

«Não sendo uma oferta hostil, iremos iniciar de imediato um conjunto de contactos com as entidades relevantes, sabendo que esta nossa iniciativa pressupõe a congregação de um conjunto de vontades», acrescentou a mesma fonte.

A oferta faz parte de «um plano de crescimento de longo prazo e de reforço das capacidades e dos ativos humanos das empresas envolvidas e propõe uma contrapartida financeira justa e equitativa», disse ainda o porta-voz de Isabel dos Santos.

O anúncio preliminar de lançamento da OPA «foi feito com conhecimento prévio dos nossos parceiros portugueses do grupo Sonae, em harmonia com os objetivos definidos aquando da declaração conjunta difundida pela ZOPT na semana passada», referiu, garantindo que «o investimento realizado na NOS em nada será afetado».

A 05 de novembro, a ZOPT, que é detida em partes iguais pela Sonaecom e por Isabel dos Santos, manifestou a disponibilidade para «integrar uma solução» para a PT que promova «a defesa do interesse nacional».

A ZOPT foi criada após a fusão da Optimus com a Zon e controla 50,1% do capital social da operadora de telecomunicações NOS.

O envolvimento de Isabel dos Santos numa solução para a PT poderá também resolver a questão dos ativos em África, uma vez que a Oi detém a Africatel através da PT Portugal, 'holding' que detém 25% da Unitel, empresa controlada pela empresária angolana, a qual a operadora brasileira quer vender.

Atualmente, os ativos da PT Portugal, que inclui o MEO e o Sapo, estão integrados na operadora brasileira Oi.

Há uma semana, o grupo francês Altice avançou com uma proposta de 7.025 milhões de euros para a compra da PT Portugal, excluindo o negócio em África, a dívida da Rioforte e veículos financeiros.