Depois de ter anunciado a OPA ao BPI, o CaixaBank tem levado a cabo imensas compras de ações do banco liderado por Fernando Ulrich, mas por uma valor abaixo da Oferta Pública de Aquisição. E voltou agora a reforçar a sua posição no capital e, ao mesmo tempo, em termos de direitos de voto. 

O banco catalão comprou, desta vez, mais 2.430.760 acções, representativas de 0,167% do capital social e 0,167% direitos de voto do BPI. Nessas operações realizadas entre 5 e 12 de maio, gastou 2,68 milhões de euros. Os espanhóis pagaram por todas elas um limite de 1,111 euros, abaixo do preço que oferecem na OPA (1,113 euros), segundo o comunicado enviado pelo BPI à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. 

Mas já não é a primeira vez que o CaixaBank se dedica a compras massivas de títulos em bolsa desde que anunciou a Oferta Pública de Aquisição. Entre o final de abril e a primeira semana de maio adquiriu 1.305.425 ações, um valor que é hoje corrigido em relação à informação enviada na altura, porque afinal adquiriu mais 425 ações do que inicialmente reportado.

"Na sequência destas aquisições e contemplando já a referida retificação, o CaixaBank passou a deter diretamente 651.377.606 acções do BPI representativas de 44,71% do capital social e 44,88% direitos de voto do BPI" 

A OPA dos espanhóis foi anunciada depois do rompimento das negociações entre o principal acionista e segunda maior acionista, a Santoro liderada pela empresária angolana Isabel dos Santos. O CaixaBank pretende comprar restante capital que não detém no banco português. 

Depois dos avanços e recuos nas negociações entre espanhóis e angolanos e do imbróglio que se criou, as conversações foram retomadas, mas apenas sobre o risco de Angola - o BCE exige que o BPI reduza a exposição ao país -, fez questão de esclarecer o CaixaBank.

A empresária angolana acusou o Governo de António Costa e mesmo o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de terem favorecido os espanhóis, com a aprovação do decreto que permite a desblindagem dos direitos de voto, um decreto que abriu a porta à OPA lançada a seguir.