A sociedade-veículo que ficou com ativos do Banif no âmbito da resolução tem em processo de venda um conjunto de ativos com que ficou daquele banco e que estão avaliados em cerca de 1,5 mil milhões de euros, segundo disseram à Lusa fontes do setor financeiro.

Nos últimos meses do ano passado, o Banif tinha contratado a empresa espanhola N+1 para o assessorar na venda de um conjunto de ativos a investidores internacionais. O objetivo da administração então liderada por Jorge Tomé era usar o dinheiro que conseguisse angariar para reembolsar o Estado do dinheiro injetado na instituição e que ainda estava em dívida (700 milhões de euros referentes a ações e 125 milhões de 'CoCos bonds', dívida convertível em capital).

Com a resolução do Banif, que levou o Estado a ter de dar esse investimento como perdido, era esperado que a operação ficasse suspensa, pelo menos durante um tempo, mas fontes do setor financeiro afirmam que a Oitante (o novo nome dado pelo Banco de Portugal à sociedade-veículo) manteve o processo e que a N+1 continua a ter mandato para negociar a carteira de ativos, designadamente crédito malparado e imóveis.

A Lusa questionou o Banco de Portugal sobre este assunto, uma vez que a Oitante está na alçada do regulador e supervisor bancário, mas até ao momento não obteve resposta.

Também a empresa N+1 foi contactada para saber se continua ou não a trabalhar nesta operação, agora com a Oitante, mas recusou fazer comentários.

Ainda segundo as informações recolhidas, já haverá investidores que se mostraram interessados em adquirir partes dos ativos em causa, sendo que o preço deverá ser diferente daquele a que estão avaliados.

A sociedade-veículo Oitante foi criada pelo Banco de Portugal, no âmbito da resolução do Banif, e detém os ativos que o Santander Totta não quis comprar.

Esta empresa tem como presidente Miguel Barbosa, que era o representante do Banco de Portugal na administração do Banif, e como vice-presidentes Paulo Boaventura e Sérgio Baptista, ex-diretor de recursos humanos do banco.