A ministra das Finanças defendeu esta terça-feira que a estratégia do Governo está a dar resultados mas alerta que para Portugal recuperar a autonomia perdida vai precisar de um processo de ajustamento que «vai além das condições do programa».

Maria Luís Albuquerque subiu hoje ao palanque no Parlamento para encerrar o debate do Orçamento do Estado para 2014 e assim que disse as primeiras palavras foi de imediato interrompida por manifestantes nas galerias, que gritavam em coro «demissão».

Prosseguindo no discurso de encerramento, a chefe da pasta das Finanças manteve o discurso que tem feito nos últimos meses, defendendo os resultados da política que o Governo está a prosseguir e a necessidade de um período de ajustamento da economia e das contas públicas que vai além do exigido no programa.

«A perda de autonomia financeira resultou das políticas desadequadas, tomadas de forma soberana, que se traduziram em sucessivos défices orçamentais e externos, foi a causa do pedido de assistência em abril de 2011 e não a sua consequência. A recuperação da autonomia financeira perdida exige um processo de ajustamento que vai além das condições do programa. Exige o equilíbrio efetivo das finanças públicas, a sustentabilidade do sistema financeiro e a transformação estrutural da economia», afirmou a governante.

Maria Luís Albuquerque voltou a tentar passar a mensagem de que nesta fase final do programa de ajustamento (termina no primeiro semestre de 2014), o esforço tem de prosseguir de forma a não invalidar os esforços e progressos já alcançados.

«A seis meses do final do programa de ajustamento começamos a afastar a excecionalidade e a perspetivar um futuro mais promissor, não é altura de desistir», disse, acrescentando que o esforço até esta altura é «de grande dimensão, mas que já produziu resultados».