Segundo um estudo divulgado esta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal foi um dos países onde os impostos sobre os rendimentos do trabalho mais subiram em quatro anos.

Mas vamos a contas: entre 2010 e 2014, um trabalhador solteiro, sem filhos e com um salário médio teve um aumento da carga fiscal sobre o trabalho de 4,1 pontos percentuais, ou seja, passou de 37,1% para 41,2%. O agravamento foi, em média, de 4,5 pontos percentuais, o que corresponde ao valor mais alto de todos os países da OCDE.

No entanto, a carga fiscal em Portugal mantém-se abaixo de outros países como é o caso da Bélgica, Áustria, Alemanha e França.

Custo salarial médio na OCDE foi 2,5 vezes superior ao da China 

O custo salarial médio anual por trabalhador na OCDE foi de 46.506 dólares em 2013, 2,5 vezes superior ao de 18.400 dólares na China.

A diferença em 2013, o último ano para o qual existem números comparáveis, era ligeiramente inferior em relação ao Brasil (19.230 dólares), África do Sul (35.311 dólares), mas muito superior face a outros países emergentes como a Índia (4.768 dólares) e a Indonésia (6.185 dólares).

A OCDE publicou pela primeira vez, em conjunto com os custos dos 34 países membros, os dados do grupo de grandes emergentes no estudo sobre o peso da tributação nos salários, ou seja dos impostos e cotizações sociais que as empresas pagam, mas que os trabalhadores não recebem.

O peso da tributação nos salários, ou seja dos impostos e cotizações sociais que as empresas pagam, mas que os trabalhadores não recebem, foi em média 36% dos custos laborais nos 34 da OCDE em 2014, mais 0,1 pontos percentuais do que em 2013, ainda que com grandes diferenças no seio da organização.

Este peso da tributação superou 50% do que as empresas pagaram aos seus empregados na Bélgica (55,6%) e ficou ligeiramente abaixo daquela percentagem na Áustria (49,4%), Alemanha (49,3%), Hungria (49%), França (48,4%) e Itália (48,2%).

No outro extremo, o peso da tributação foi de apenas 7% no Chile, 17,2% na Nova Zelândia, 19,5% no México, 20,5% em Israel, 21,5% na Coreia do Sul e 22,2% na Suíça.

No caso dos grandes emergentes e com dados de 2013, a carga fiscal mais elevada foi a registada no Brasil (33,5%), seguida de perto pela China (33,7%) e muito abaixo pela África do Sul (14,3%), Indonésia (8,2%) e Índia (6,2%).

A Bélgica foi, mais um ano, em 2014 o país com os custos laborais mais elevados, com 71.686 dólares, seguida pela Suíça (70.663 dólares), Alemanha (68.735 dólares), Luxemburgo (67.557 dólares), Noruega (67.072 dólares), Holanda (65.303 dólares) e Áustria (65.046 dólares).