Os analistas ouvidos pela Lusa acreditam que as taxas de juro diretoras deverão permanecer inalteradas na próxima reunião do Banco Central Europeu (BCE), depois da OCDE ter afirmado hoje que a instituição deve cortar a principal taxa de juro para zero.

Os governadores do Banco Central Europeu (BCE) vão reunir-se na quinta-feira, em Bruxelas, para decidir sobre as taxas de juro diretoras, que estão desde novembro do ano passado no mínimo histórico de 0,25%.

«Para a reunião desta quinta-feira, continuamos a não antever grandes novidades ao nível da política monetária», disse à agência Lusa José Miguel Moreira, do departamento de estudos do Montepio Geral.

Para o economista, o BCE deverá manter «sensivelmente o mesmo discurso da reunião anterior, e a valorizar os últimos dados da inflação, que revelaram uma reversão, em abril, da diminuição da inflação observada em março, passando de 0.5% para 0.7%, bem como os dados que têm vindo a ser conhecidos sobre a atividade, que têm continuando a sustentar uma aceleração do crescimento económico na região».

A opinião é partilhada por Paula Gonçalves Carvalho, do departamento de estudos do Banco BPI, que não antecipa qualquer alteração de política monetária na próxima reunião, apesar do cenário de «inflação baixa por um período prolongado», refletindo a apreciação da moeda por um período alargado.

A economista rejeita, no entanto, um cenário de deflação na zona euro, que é admitido no relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) hoje divulgado.

«Há sinais claros de ascensão no ciclo económico, de melhoria no campo da atividade e de redução da fragmentação financeira. Poderão ser tímidos e uma eventual atitude mais agressiva pelo BCE poderia eventualmente impulsionar este quadro», reconheceu.

No entanto, para a economista, deverá prevalecer a opinião dos mais ortodoxos, que encontram argumentos para a inação ou o esperar para ver no andamento dos indicadores.

Também para Rui Bárbara, gestor de ativos do Banco Carregosa, a «eventualidade de baixar a taxa de 0,25% para zero não deverá ter nenhum efeito prático, será apenas um sinal de preocupação».

«A prazo, se houver sinais mais persistentes, acredito que o BCE possa enveredar por um caminho anglo-saxónico, tomando medidas mais drásticas para não deixar instalar a deflação. No imediato, parece-me que a opinião dos membros do BCE não é unânime», acrescentou.

No Economic Outlook, hoje divulgado, a OCDE estima que a inflação na zona euro atinja os 1,3% em meados de 2015, "muito abaixo" do objetivo de médio prazo fixado pelo BCE para garantir a sustentabilidade de preços (inflação abaixo mas próxima dos 2%).

Por isso, escreve a OCDE, «o BCE deve cortar a taxa de juro principal para zero e mantê-la neste nível por um longo período de tempo», considerando que «vão ser necessárias medidas não convencionais [de política monetária], se a inflação não mostrar sinais claros de regresso ao objetivo do BCE ou se o cenário deflacionista ocorrer».