O Santander Totta lançou, esta quinta-feira, uma emissão de obrigações subordinadas destinadas aos clientes do Banif que detinham estas apliações, que ficaram no banco mau e que, por isso, poderão não reaver o investimento feito.

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o novo dono do banco explica que os títulos de dívida têm como maturidade outubro de 2026 (10 anos, portanto) e pagam uma taxa anual fixa de 7,5%.

Em maio, a Lusa tinha escrito que o Santander Totta estava a tentar encontrar uma solução para compensar, pelo menos parcialmente, o investimento feito pelos obrigacionistas subordinados do Banif, que com a falência do banco são dos credores menos protegidos.

Em causa, estão cerca de 263 milhões de euros.

O período de subscrição desta oferta começa a 1 de julho e termina a 30 de setembro

O valor nominal global máximo é de 205 milhões de euros, sendo que se o valor ficar abaixo a oferta continua válida.

Clientes perdem direitos?

Os clientes que investiram em obrigações subordinadas do Banif, mesmo que invistam agora nesta emissão do Santander Totta, não perdem direitos sobre as obrigações subordinadas que subscreveram do banco fundado por Horácio Roque.

Por exemplo, um cliente que investiu 100 mil euros em obrigações subordinadas do Banif continua a ter um crédito sobre esta entidade, enquanto não for reembolsado.

Com a proposta agora apresentada, este cliente pode fazer um novo investimento (no montante máximo do que tinha aplicado em obrigações Banif) mas agora em obrigações subordinadas do Santander Totta. Caso decida investir novamente 100 mil euros, deverá ir buscar o total de 175 mil euros no fim dos 10 anos. Ou seja, há sempre uma perda, mas o investimento inicial é parcialmente compensado.

No comunicado hoje divulgado, em que dá conta desta emissão de dívida, o Santander Totta diz que é “alheio a qualquer responsabilidade relativa às obrigações subordinadas emitidas pelo Banif, entidade que permanece com a responsabilidade do respetivo pagamento”, mas que desde a medida de resolução aplicada ao Banif vem “analisando potenciais medidas a apresentar aos seus clientes que subscreveram obrigações subordinadas Banif (…) com vista exclusivamente a fomentar a preservação e consolidação da relação bancária com estes clientes, intenção essa que desde logo tornou pública”.

O Santander Totta diz que, com esta emissão, os clientes que invistam nestas obrigações irão ter “um rendimento a prazo equivalente a cerca de 75% do valor investido pelos clientes que subscreveram obrigações subordinadas do Banif”, e que esta emissão representa “um esforço total de 150 milhões de euros” ao banco.