O BCP está «mais forte» e «mais sólido» após a reestruturação operada nos últimos anos no banco, na opinião do presidente Nuno Amado, que aponta para o regresso ao lucro na atividade doméstica como o próximo grande desafio.

«Temos um BCP renovado para atingir os objetivos principais: alcançar o 'break even' [resultados positivos] em Portugal e apoiar os particulares e empresas», afirmou hoje o mesmo responsável, numa conferência de imprensa em Lisboa.

O prejuízo de 488,2 milhões de euros entre janeiro e junho «é ainda um resultado bastante negativo», admitiu Nuno Amado, considerando que o novo ciclo que se abre no banco dará frutos a médio prazo.

«Este verão vamos dar por concluído uma fase importante do nosso plano estratégico de reposicionamento do banco. No primeiro semestre, os principais destaques passam pelo reforço de capital, reforço de liquidez, pela venda da operação na Grécia e pela definição do perímetro do banco depois das negociações com Bruxelas», destacou.

«Falta-nos executar o aprofundamento do plano, que será divulgado nos resultados do terceiro trimestre», frisou o banqueiro.

Nuno Amado salientou a importância da operação de venda da sucursal grega do BCP, concluída no primeiro semestre, sublinhando que «o risco da Grécia era muito difícil de gerir, semestre após semestre».

«O banco está agora mais forte e mais sólido», disse o banqueiro.

BCP avança em 2014 com reembolso de obrigações compradas pelo Estado

O BCP disse ainda que mantém a intenção de começar a reembolsar o Tesouro em 2014 pelos instrumentos híbridos convertíveis ('CoCos') subscritos pelo Estado para capitalização do banco, mesmo que as novas regras europeias lhe possibilitem libertar capital mais cedo.

«Temos excesso de capital face aos rácios mínimos, mas face às atuais circunstâncias [crise económica e implementação de novas regras no setor], vamos manter o plano de começar o reembolso dos 'CoCos' no ano que vem. Preferimos jogar pelo seguro», afirmou.

Recentemente, a Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês), alterou as regras relativas às almofadas de capital que os bancos têm que ter para fazer face à exposição às suas carteiras de dívida soberana, algo que possibilita que os bancos libertem capital que, até agora, tinha que estar afetado ao rácio 'core tier 1' (que afere a solvabilidade de um banco).