João Rendeiro, antigo presidente do Banco Privado Português (BPP) critica duramente a atuação do Banco de Portugal e da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) no caso dos lesados do papel comercial do BES. Redeiro diz-se “envergonhado” e “triste” com o caso.
 

“O caso dos lesados do BES é um caso que me penaliza. Sinto-me bastante envergonhado e bastante triste pelo facto do Banco de Portugal, em conjunto com a CMVM, não terem controlado este problema. E penso que, em conjunto, a CMVM e o Banco de Portugal deveriam encontrar uma solução para este problema”, disse João Rendeiro, na TVI24, num debate sobre o processo de venda do Novo Banco.

 
A opinião do antigo presidente do BPP é secundada por Luís Mira Amaral, presidente do BIC, que se diz “pessimista em relação a uma solução”. “ Estas pessoas foram fortemente lesadas. Estou certo que os tribunais lhes darão razão, mas são pessoas sem grandes meios e sem grandes capacidades de esperar”, sublinhou.
 
Sobre o processo de venda do Novo Banco, os dois banqueiros concordam que os candidatos chineses (a Fosun e o grupo Angband) estão melhor posicionadas para avançar do que os americanos do Fundo Apollo.
 

“Eu percebo a estratégia dos chineses. Têm granes excedentes comerciais. Até agora colocavam os excedentes em títulos de dívida pública americana. (…) Agora começaram a diversificar e Portugal é um país apetecível para os chineses”, sublinhou Mira Amaral.

 

“A minha previsão, pode ser completamente errada, é que será a seguradora chinesa Fosun a comprar, por um valor ligeiramente acima dos 5 mil milhões de euros. (…) É muito provável que a Apollo não consiga acompanhar o leilão final que o Banco de Portugal vai fazer”, considerou João Rendeiro.

 
“Eu diria que para este processo ter êxito, deveria ser um valor ligeiramente acima do ‘valor de livros’ do Novo Banco, que seria os 5,2 mil milhões. (…) Diria que uma operação de êxito seria acima dos 5 mil milhões de euros”, acrescentou.
 
Para João Rendeiro, no sucesso do processo, pesarão muito os chamados riscos de litigância. Para Mira Amaral esses riscos de litigância “vão parar nas mãos do Estado”.