Vítor Bento, atual presidente da SIBS, vai ser o novo presidente executivo do Banco Espírito Santo, revela o Público.

Moreira Rato substitui Morais Pires no BES

O economista e conselheiro de Estado era um dos nomes que o Banco de Portugal via com bons olhos para ocupar as funções de CEO do banco ainda liderado por Ricardo Salgado.

A Espírito Santo Financial Group (ESFG) e o Credit Agricole fizeram o convite ao presidente da SIBS.

Depois de várias polémicas com a lista de nomes propostos, na sequência da decisão de Ricardo Salgado de se afastar da presidência executiva do banco, o BES tem estado debaixo de forte pressão dos investidores, tendo já desvalorizado mais de 2 mil milhões de euros em bolsa.

Os analistas duvidam que o Banco de Portugal aprove o nome de Amílcar Morais Pires para suceder a Salgado, já que o regulador prefere alguém independente. Recorde-se que, para além de Morais Pires ser o braço direito de Salgado, estará a ser investigado pelo Ministério Público na sequência do processo Monte Branco.

O semanário Expresso já tinha avançado esta sexta-feira o convite endereçado a Vítor Bento.

O supervisor bancário assegurou esta quinta-feira que o Banco Espírito Santo (BES) se encontra numa situação de solvabilidade «sólida», que foi reforçada com o recente aumento de capital, acrescentando que está a acompanhar de perto a situação no banco.

Qualquer que seja a solução encontrada para a substituição de Ricardo Salgado na liderança do BES, esta ainda terá de ser ratificada na assembleia geral de acionistas marcada para 31 de julho.

O nome de Vítor Bento para liderar o BES foi de imediato bem recebido pelo mercado, com as ações do banco a dispararem e a fecharem a valorizar 8,2%, anulando as perdas da semana.

Bento tem 60 anos, é economista de formação, presidente da SIBS (a empresa que gere os pagamentos eletrónicos), e é conselheiro de Estado de Cavaco Silva.

Foi a primeira escolha de Passos Coelho para ministro das Finanças, cargo que recusou, e que seria ocupado por Vítor Gaspar.

Bento é um crítico do programa de ajustamento, pois não vê margem para o governo cumprir a expetativa que foi criada de baixar impostos, e é contra a reestruturação da dívida.

A proximidade a Passos Coelho não o impede de considerar que o Governo deixou passar a crise aguda sem fazer a reforma estrutural da economia.

No BES, muitos são os desafios que Vítor Bento vai encontrar. A situação agravou-se nos últimos dias e para tranquilizar investidores e clientes o Banco de Portugal sentiu-se mesmo na obrigação de dizer que a situação financeira do banco é sólida sobretudo após o último reforço de capital.