O presidente da TAP, Fernando Pinto, considera que quando avançar a privatização da empresa, suspensa em dezembro de 2012, o processo será mais rápido do que da primeira vez e sublinhou que a TAP está cada vez mais preparada.

«Diria que houve um treino de como deve ser o processo. Essa aprendizagem já aconteceu, a segunda tentativa será, sem dúvida, mais rápida do que a primeira», disse hoje Fernando Pinto, à margem de uma conferência organizada pela revista The Economist, num hotel em Cascais.

Fernando Pinto afirmou ainda que a gestão tem feito o trabalho de modo a «manter a empresa em condições de a qualquer momento iniciar-se o processo» e que «está cada vez melhor» para ser alienada.

No entanto, disse, não tem previsão para quando pode voltar a ser lançado o processo: «A TAP está sempre bem, sempre em posição boa para fazer a privatização, mas depende da hora do mercado. Depende das propostas, depende de tudo, isso está sendo julgado pelo Governo».

O Governo pediu aos assessores financeiros da privatização da TAP uma atualização da avaliação da companhia aérea, disse fonte governamental à Lusa, a 16 de janeiro.

Segundo a mesma fonte, esta atualização, pedida ao Barclays Capital, ao Banco Espírito Santo de Investimento, ao Citi Bank e ao Crédit Suisse, visa ter em consideração os resultados da TAP referentes a 2013.

Até ao final do terceiro trimestre de 2013 e comparativamente com o mesmo período de 2012, as receitas operacionais da TAP aumentaram 2,2% para 1.863 milhões de euros e o resultado líquido passou de um prejuízo de 9,7 milhões de euros para um lucro de 8,5 milhões de euros.

No que respeita ao tráfego, a TAP anunciou a 08 de janeiro que transportou 10.703.000 passageiros em 2013, um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, e que a taxa de ocupação dos voos subiu de 76,8% para 79,4%.

Em janeiro, o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, disse no parlamento que o Governo aguarda um momento em que haja «suficiente ambiente competitivo» para reabrir o processo de privatização da TAP, enaltecendo o interesse «que aparentemente existe» na companhia aérea portuguesa.

A imprensa tem avançado que há novos interessados na companhia aérea, entre os quais o norte-americano Frank Lorenzo, antigo acionista e presidente da Continental Airlines, e Pais do Amaral.

O Governo recusou, em dezembro de 2012, a proposta de compra da TAP feita pelo grupo Synergy, detido pelo empresário colombiano Germán Efromovich, o único concorrente à privatização da companhia aérea nacional.

A venda está suspensa desde então e, no Orçamento do Estado para 2014, o Governo afirma que «continuará a monitorizar as condições do mercado, por forma a relançar o processo de privatização da TAP logo que estejam reunidas as condições propícias para o seu sucesso».

A 17 de dezembro, Fernando Pinto afirmou que «não é fundamental» que a privatização da companhia aérea seja feita em 2014, porque a empresa tem um plano de negócios até 2016 «perfeitamente viável».