A RTP celebrou em 2002 um contrato de derivado swap com o Crédit Suisse. A informação, avançada pelo «Correio da Manhã», consta do relatório e contas relativo a 2011.

Na rubrica «ativos e passivos financeiros detidos par negociação» consta um passivo de 95 milhões de euros , montante que, segundo a empresa, «corresponde ao justo valor de um swap de taxa de juro entre a RTP e o Crédit Suisse» com vencimento em 2022.

Ao jornal, a RTP explicou que se trata de «um empréstimo que se comporta como um derivado financeiro ao abrigo do Sistema de Normalização Contabilística, que não é um contrato de swap» e garante que «a tutela (acionista Estado) aprova e tem conhecimento de todas as operações em que a RTP participa».

Contactado o Ministério das Finanças, o mesmo admitiu ao «Correio da Manhã» que «o swap da RTP é do conhecimento das Finanças» e que o mesmo «não tem qualquer problema de toxicidade», não tendo sido renegociado no pacote de empréstimos swap que incluem riscos agravados para as empresas públicas.

O ex-administrador financeiro da RTP, entre 2002 e 2007, que herdou este contrato, diz que este é um contrato de extensão de juros. Segundo Ponce de Leão, o Crédit Suisse comprou o direito a receber juros de vários empréstimos da RTP até 2022. Em troca a empresa pública recebeu 160 milhões de euros. O contrato, que descreve como «muito complexo» prevê que a RTP não pague o capital recebido, mas apenas juros. Contudo, estes são calculados não nos 160 milhões de euros recebidos, mas em 410 milhões.