Os acionistas da SAD do Sporting aprovaram ontem o plano de reestruturação financeira, que já tinha sido apresentado aos sócios do clube em Assembleia-Geral, realizada em 30 de junho último.

Em comunicado, o clube refere que os 14 pontos apresentados na AG da SAD de ontem foram aprovados, sem terem registado qualquer voto contra e com apenas algumas abstenções em alguns pontos.

A reestruturação financeira aprovada, e que já tinha recebido o voto favorável de 97,3% dos associados do Sporting que presenciaram a AG de 30 de junho, irá permitir, segundo a direção leonina, reduzir a dívida do clube lisboeta de 354 para 206 milhões de euros.

Um dos principais requisitos para atingir esse objetivo passa pela incorporação da Sporting Património e Marketing (SPM) na SAD, com transferência do direito de superfície sobre do Estádio José Alvalade e sobre o edifício multidesportivo por um prazo adicional de 33 anos, que a aprovação do plano vem agora autorizar.

A SAD sportinguista pretende com estas medidas «elevar os seus capitais próprios, por um lado, e, por outro, dotar a sociedade dos meios necessários à gestão da sua atividade», cita a Lusa.

A reestruturação permitirá três aumentos de capital da SAD: oito milhões da fusão por incorporação da SPM na SAD, 20 milhões para pagar a dívida à sociedade Holdimo e 18 milhões que assinalam a entrada de mais investidores (que ficarão com 21% da SAD), o que somados se traduzem num aumento de capital de 39 para 85 milhões de euros.

Apesar de estar pela primeira prevista a entrada de investidores estrangeiros no capital da SAD leonina, o Sporting continuará a deter 50,4% do total, assegurando dessa forma a manutenção do seu controlo.

Com o aumento de capital da SAD, a realizar por subscrição particular pela Holdimo, no montante de 20 milhões de euros, esta sociedade passará a deter 23,5% do capital social da SAD do Sporting, que recuperará uma percentagem dos passes dos jogadores do plantel que estão atualmente na posse da Holdimo.

Uma das consequências da aprovação do plano de reestruturação será a constituição a favor dos bancos financiadores da SAD de hipoteca sobre o direito de superfície do estádio de Alvalade e do edifício multidesportivo, para garantia das responsabilidades do Sporting perante esses bancos de um financiamento até 68 milhões de euros.

Esse financiamento será destinado a liquidar a dívida do Sporting perante a SAD, bem como a dívida de ambos perante os bancos.

O plano de reestruturação prevê, ainda, nova emissão de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC), no montante de 80 milhões de euros, à taxa de juro anual bruta de quatro por cento, desde que a SAD tenha lucro, para conversão de créditos aos bancos.