O antigo presidente da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, criticou as acusações feitas à empresa de ser uma «trituradora» de fornecedores e indicou que o grupo irá anunciar novidades para Portugal nas próximas semanas.

«Vou aproveitar a presença nesta sala de vários jornalistas para ter uma conversa muito séria, porque ao fim de 56 anos de trabalho e 46 na Jerónimo Martins estou um pouco farto de ouvir dizer mal desta máquina trituradora que mata fornecedores, que não paga aos fornecedores», afirmou Alexandre Soares dos Santos, durante a inauguração do novo centro de distribuição do grupo em Algoz, Silves, no Algarve.

«Gostava de dizer o seguinte: esta empresa trituradora, nos últimos 10 anos, investiu 1,5 mil milhões de euros em Portugal e criou 10 mil empregos», apontou o antigo presidente do conselho de administração do grupo, que saiu do cargo no final do ano passado.

O gestor lembrou ainda que nos últimos cinco anos da crise, o grupo investiu 540 milhões de euros e criou 1.200 empregos, o que mostra que «não andamos aqui a matar ninguém», sublinhou.

Alexandre Soares dos Santos, que sublinhou estar a falar enquanto cidadão, indicou que o grupo que detém a cadeia Pingo Doce tem «ajudado a agricultura de uma forma extraordinária», com várias empresas agrícolas a verem na Jerónimo Martins «uma fonte de aprendizagem», que levou lavradores e agricultores à Holanda para aprenderem novas formas de agricultura.

«Queixa-se a indústria muito da Jerónimo Martins. Queixa-se porquê?», questionou o antigo chairman do grupo, para depois dar a resposta: «Porque a Jerónimo Martins, como outras empresas portuguesas, como a Sonae, contribuíram para a baixa de preços ao consumidor, para a baixa da inflação, para a melhoria da qualidade dos produtos e cuidados de saúde».

Alexandre Soares dos Santos disse que o grupo, tal como outras empresas, precisam de lucro.

«Porque se não temos lucro não vou investir», em Portugal, disse Soares dos Santos.

«Vamos acabar com esta noção de que na indústria da distribuição se prestam maus serviços», porque «nós só prestamos bons serviços», apontou, salientando que a Jerónimo Martins é reconhecida na Polónia, o que não acontece em Portugal.

«Somos líderes na Polónia e ninguém fala» disso, afirmou, acrescentando que parece que os portugueses não têm orgulho nisso.

«Gostam muito mais, com certeza, de ver uma PT desaparecer. Interessante, vai para o Brasil e boa noite. E o que aconteceu com a Cimpor?», salientou.

«As empresas nacionais como nós, a Sonae e Portucel, essas não interessam, essas ficam cá», acrescentou.

Alexandre Soares dos Santos sublinhou que o grupo pertence à família há 100 anos e assim vai continuar.

«Não andamos aqui a fugir aos impostos», sublinhou, referindo que o investimento na Fundação Francisco Manuel dos Santos é de sete milhões por ano.

O antigo chairman disse que gostaria de ver o trabalho feito pela empresa «reconhecido».

«Os senhores vão ver dentro de algumas semanas o que temos para anunciar para Portugal», disse.