O prejuízo do grupo Soares da Costa subiu 8,2% no ano passado, face a 2012, para os 50,7 milhões de euros, anunciou hoje a empresa.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo Soares da Costa adianta que o volume de negócios recuou 28% para 135 milhões de euros e que o resultado antes de impostos, juros, amortizações e depreciações (EBITDA) cresceu 27,7% para 37,2 milhões de euros.

No comunicado, o grupo destaca a celebração de acordos acionistas que levaram à operação de aumento de capital da Soares da Costa Construção SGPS, de 70 milhões de euros, por parte da GAM Holdings, do empresário angolano António Mosquito, que foi concretizada em fevereiro deste ano.

«Com esta operação a GAM Holdings tornou-se o acionista maioritário com uma participação de 66,7% do capital, passando o grupo Soares da Costa a deter 33,3%», lembra a empresa, que aponta que como consequência da operação «a posição na Soares da Costa Construção passou a ser classificada para efeitos de apresentação no balanço como ativo detido para venda e na demonstração de resultados como atividade descontinuada».

Assim, o volume de negócios de 135 milhões de euros no ano passado, que compara «com o valor reexpresso de 187,4 milhões de euros do ano anterior, repercutindo, sobretudo, a redução da atividade de construção da concessionária Autoestradas XXI, relacionada com a conclusão da autoestrada Transmontana».

O grupo Soares da Costa salienta «os impactos nas demonstrações financeiras consolidadas decorrentes da celebração dos acordos acima destacados», referindo que a perda de controlo sobre a Soares da Costa Construção e suas subsidiárias e a definição de um plano de venda da Prince, filial dos Estados Unidos na área da construção implicaram alterações de ordem contabilística.

O volume de negócios do grupo relativo a atividades descontinuadas caiu 52,4 milhões de euros no ano passado para 135 milhões de euros, o que, como foi referido anteriormente, se deveu «fundamentalmente à conclusão, ocorrida há cerca de meio do ano, da construção da infraestrutura da Autoestrada Transmontana, objeto de (sub)concessão à Autoestradas XXI e, consequentemente, do menor reconhecimento do volume de negócios por parte desta», explica.

Além disso, «as negociações em curso referentes à concessão da autoestrada da Beira Interior determinaram uma diminuição do volume de negócios reconhecido pela Scutvias», adianta o comunicado.

Em 2013, os proveitos das concessões recuaram 35,5% (98,9 milhões de euros), os do imobiliário cresceram 21,3% (26,9 milhões) e as receitas da energia caíram 13,8% (1,4 milhões).

Em termos de perspetivas para este ano, «o grupo apostará fortemente no sucesso e desenvolvimento da parceria estratégica estabelecida com a GAM Holdings», prevendo-se um aumento significativo da atividade, «em particular nos países africanos de expressão lusófona, e de melhoria da rentabilidade do segmento da construção».

No que respeita às concessões rodoviárias portuguesas, Scutvias e Autoestradas XXI, «espera-se que em 2014 sejam ultimadas as negociações em curso com as entidades concedentes relativamente às alterações dos respetivos contratos, num quadro de grande equilíbrio contratual e que assegura uma adequada preservação dos interesses do grupo».

Espera ainda uma melhoria na gestão de imóveis e sublinha que o conselho de administração «reafirma o seu empenho na reestruturação do passivo financeiro do grupo Soares da Costa para o que decorrem diligências preparatórias».