As seguradoras a operar em Portugal detinham 10 mil milhões de euros em títulos soberanos de Portugal em junho, um aumento de 17% face há um ano resultante sobretudo da valorização destes títulos, segundo a associação que representa o setor.

No final do primeiro semestre, o setor segurador detinha 15 mil milhões de euros em dívida pública. Destes, 10 mil milhões de euros eram de títulos soberanos de Portugal, cerca de 66% do total. As restantes obrigações públicas são sobretudo de Espanha, França, Alemanha e Itália.

Segundo a Associação Portuguesa de Seguradoras (APS), que hoje apresentou os resultados do primeiro semestre, os 10 mil milhões de euros em dívida de Portugal comparam com os seis mil milhões de euros detidos em junho de 2012, num aumento de 16,7%.

Citado pela Lusa, o presidente da APS, Seixas Vale, justificou este crescimento com a valorização da cotação da dívida pública de Portugal nos mercados, assim como com o maior investimento das empresas seguradoras nestes títulos.

Questionado sobre se as seguradoras não temem uma reestruturação de dívida, o responsável afirmou que «esse tema está sempre presente», pelo que atualmente as seguradoras têm mais obrigações privadas (de empresas) do que públicas.

«Do total de investimento que as seguradoras fazem, hoje gerem cerca de 50 mil milhões de euros, só 20% do montante está em dívida pública. As seguradoras fizeram uma mudança significativa», afirmou.

Entre os ativos da carteira vida, em junho deste ano, 74% destes estavam aplicados em obrigações, sendo 29,7% em dívida pública, 38,4% em dívida de entidades privadas e 6,7% em «outras» obrigações.

Na carteira de não vida, as obrigações eram 52,4% dos ativos: 23,1% em dívida pública, 26,2% em obrigações de entidades privadas e 3,1% em outras.

O setor segurador registou lucros de 464 milhões de euros no primeiro semestre, quase o triplo face aos 168 milhões de euros do mesmo período de 2012.

Para os lucros das seguradoras contribuiu uma operação de venda da carteira de Vida Risco da seguradora do grupo BES, o que resultou num encaixe de 150 milhões de euros. Em contrapartida, as seguradoras pagaram no primeiro semestre 100 milhões de euros de indemnizações devido aos estragos provocados pelo temporal de 18 e 19 de janeiro.