O presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, diz que o banco está «sempre disposto» a negociar com o Governo os contratos swap celebrados com empresas públicas.

Falando na comissão parlamentar de inquérito, o responsável sublinhou que as negociações foram condicionadas pelo facto de a atual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ter declarado que os contratos eram nulos, levando o banco a a recorrer aos tribunais britânicos.

O banco assinou contratos com quatro empresas públicas: Metro do Porto, Metro de Lisboa, STCP e Carris.

O Banco Santander Totta é o único banco com o qual o Estado ainda não conseguiu qualquer entendimento para cancelar os contratos.

«Agora, sobre o que os outros bancos estavam dispostos a fazer [descontos no valor de fecho dos contratos], não me posso pronunciar e nem sobre aquilo que o Estado negoceia com essas instituições. Num determinado momento, apresentamos determinadas propostas, no sentido de chegar a uma determinada solução», disse o presidente.

Vieira Monteiro faz-se acompanhar nesta audição com os administradores Elias da Costa (Ex-secretário de Estado das Finanças de Cavaco Silva), Pedro Castro e Almeida e José Carlos Sítima.

Os responsáveis Santander Totta têm dito nesta audição que com a evolução do mercado, em sentido oposto ao que era esperado, com significativa baixa das taxas de juro, que o banco contactou as empresas com vista à renegociação dos contratos swap celebrados.

«Foram várias as soluções apresentadas», disse Castro e Almeida, acrescentando que nesse caso a empresa teria «sempre de ter um custo na reestruturação» e que os gestores públicos estavam cientes disso. Castro e Almeida enunciou mesmo uma série de contactos com o Metro do Porto feitos nos últimos anos com vista a uma eventual reestruturação dos swap.

«Isto mostra que o banco é sensível ao que se passa no mercado», reforçou Vieira Monteiro.

No entanto, o presidente do banco fez questão de sublinhar que cabia às empresas públicas e não ao banco fazer a gestão dos contratos swap para evitar prejuízos. «O ónus da gestão ativa está nas empresas públicas», argumenta Castro Almeida.

«Essa gestão ativa dos contratos de swap tem que ser realizada pelas próprias empresas, uma vez que deve ser ajustada à carteira global destas últimas, que só elas conhecem», acrescentou o presidente do banco.

O banco garante que não perde nada se a empresa pública ganhar dinheiro com o contrato, nem perde nada se a empresa ganhar dinheiro.

Os responsáveis do banco garantem que os seus swap não são especulativos e dizem mesmo que estes conseguem ser calculados em folhas Excel.

«Os swap do Santander não são de forma nenhuma complexos, na medida em que são estruturados com base em fórmulas aritméticas simples, ao alcance de qualquer Excel», disse Elias da Costa.