O presidente do BES, Ricardo Salgado, disse hoje numa mensagem aos trabalhadores do banco que a eventual extinção da BESPAR será uma «evolução positiva» e que permitirá ao grupo responder «às recomendações da regulação», tornando o BES «mais apetecível».

O Expresso noticiou este fim de semana que a BESPAR, holding detida pela Espírito Santo Financial Group e pelo francês Crédit Agricole, que controla 35% do BES, pode «desaparecer» no âmbito «da reestruturação do grupo e de uma maior clarificação acionista da estrutura que detém diretamente o BES», o que é visto com bons olhos tanto pelo Banco de Portugal como pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Nesse caso, acrescentava o Expresso, os «acionistas históricos do banco passariam a deter diretamente o capital do banco e não através de uma holding onde existe um acordo de parceria» entre a família Espírito Santo e o Crédit Agricole, abrindo ainda a porta ao fim do mecanismo em que a família controla o BES com menos de 5% do capital e tornando o banco mais facilmente alvo de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA).

Numa mensagem hoje enviada aos colaboradores por Ricardo Salgado, divulgada pelo Jornal de Negócios, o presidente do BES fala das «fugas de informações incendiárias para a comunicação social com o objetivo único de boicotar as soluções que estão a ser desenhadas» no grupo, mas admite a extinção da BESPAR.

«A acontecer, será, portanto, uma evolução positiva e corresponde às recomendações da regulação» e que tornará o BES «um banco mais apetecível em termos de mercado de capitais», afirmou Salgado.

Ainda assim, salienta o banqueiro, «a decisão de extinguir a BESPAR é uma decisão exclusiva dos acionistas e a ocorrer terá de ser devidamente comunicada ao mercado», afirmando que a criação da BESPAR no início dos anos de 1990 se prendeu com a necessidade de «responder às regras impostas pelo processo de privatizações».

Numa mensagem em que destaca os tempos «exigentes» que o grupo tem vivido e a «dedicação e envolvimento inexcedível» dos colaboradores, o banqueiro antecipa o regresso dos bons tempos à instituição, ao afirmar que o facto de o banco ter sido penalizado «durante os anos de queda do PIB [Produto Interno Bruto] terá agora, com o regresso ao crescimento económico, o reverso favorável da medalha».

Ricardo Salgado fala ainda do Grupo Espírito Santo (GES), ainda que diga que o GES e o BES são «dimensões empresariais diferentes».

O banqueiro refere a reorganização que está a ser preparada no GES, considerando que o modelo de organização em que este assenta «está ultrapassado», pelo que se prepara agora «para um novo horizonte de desenvolvimento».

«Terá de fazer uma reestruturação que não será isenta de dor e que passa por dimensões de deleverage [desalavancagem], de redução do perímetro de atuação em termos de setores de atividade e de recapitalização. Este trabalho está a ser feito e haverá no curto prazo mais novidades sobre o GES», afirma.

A imprensa tem noticiado que o Grupo Espírito Santo (GES) está em reestruturação para tornar a estrutura mais simples e responder a recomendações do Banco de Portugal.

Com as alterações, a Rioforte (que detém a área não financeira) passa a ser a holding central do grupo, ficando sob a sua alçada a parte financeira do grupo (BES, BES Investimento e seguradora Tranquilidade, na alçada do Espírito Santo Financial Group), assim como as áreas não financeiras.