O Ministério Público está a «acompanhar a situação» do Grupo Espirito Santo e «não deixará de pedir todos os elementos considerados importantes para eventual investigação criminal», assegurou à Lusa fonte Procuradoria-Geral da República.

«O Ministério Público encontra-se a acompanhar a situação, nomeadamente as notícias vindas a público. O relatório em causa ainda não foi recebido mas o Ministério Público não deixará de solicitar todos os elementos que considere relevantes para a investigação criminal», disse à Lusa a mesma fonte.

O Banco de Portugal detetou irregularidades nas contas da Espírito Santo Internacional (ESI) e concluiu, com base numa auditoria divulgada dia 21 de maio, que a situação financeira é grave.

Segundo o documento disponibilizado através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a auditoria externa levada a cabo na ESI, relativa às contas divulgadas a 30 de setembro de 2013 e 31 de dezembro de 2013, «apurou irregularidades nas suas contas e concluiu que a sociedade apresenta uma situação financeira grave».

No mesmo sentido, acrescenta, a comissão de auditoria da Espírito Santo Financial Group (ESFG) «identificou igualmente irregularidades materialmente relevantes nas contas» da holding.

De acordo com a edição de hoje do Diário Económico, um relatório da comissão e auditoria da Espirito Santo Financial Group (ESFG) «terá concluído que não foram registados 1,2 mil milhões de euros de dívidas nas contas de 2012, deixando a ESI numa situação financeira grave».

Segundo o jornal, a situação financeira da ESI, por ser uma sociedade sediada no Luxemburgo que se rege por direito luxemburguês, releva apenas para efeitos da ordem jurídica desse país ¿ onde a lei prevê (tal como a portuguesa) que a falta de registo contabilístico, se feita com dolo, é considerada ocultação de contas, o que constitui matéria criminal.