Os operadores portuários alertaram hoje para o risco de falências no Porto de Lisboa devido à greve dos estivadores, mas o sindicato do setor anunciou uma reunião para dia 14 que poderá ajudar a ultrapassar o conflito laboral.

A Associação - Empresa de Trabalho Portuário de Lisboa (A-ETPL), a Associação Marítima e Portuária e a Associação de Operadores do Porto de Lisboa emitiram um comunicado em que responsabilizam a greve dos estivadores por uma «perda acelerada de proveitos da A-ETPL», que enfrenta «sérios problemas de tesouraria», que «podem ditar a sua falência a muito curto prazo».

«A greve está a levar à morte do porto», é afirmado no documento que se assume como «o último alerta aos estivadores e às autoridades».

O presidente do Sindicato dos Estivadores, António Mariano, repudiou as acusações e responsabilizou os operadores do Porto de Lisboa pelo conflito laboral, acusando-os de pretenderem substituir os profissionais da atividade portuária por trabalhadores precários sem experiência nem formação adequada.

«As empresas ainda não perceberam que os portos mais eficientes são aqueles que trabalham com profissionais e não com mão-de-obra precária», disse o sindicalista lembrando que o conflito laboral no porto de Lisboa tem sido acompanhado por estruturas sindicais internacionais, que estão solidárias com os trabalhadores portugueses.

António Mariano disse à agência Lusa que está agendada uma reunião para o próximo dia 14, no Instituto da Mobilidade e dos Transportes, com a presença das Associações das Empresas Portuárias de Lisboa, do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal e ainda do IDC - International Dockworkers Council.

«O objetivo desta reunião é discutir entre os parceiros sociais a possibilidade de se criarem condições objetivas para ultrapassar o conflito laboral que se tem vivido no Porto de Lisboa», disse.

Segundo o sindicalista «durante a próxima semana a greve que tem estado a ocorrer ao primeiro turno não se irá verificar e está desde já acordado entre os parceiros sociais que no dia da reunião nenhum dos lados criará condições para que o conflito possa ocorrer».

Em função dos resultados que se consigam atingir poderão vir a ser criadas condições para abertura de uma ronda negocial que permita superar os diferendos que se vêm arrastando, referiu António Mariano, que considerou que a «abertura deste canal de diálogo foi possível, em grande medida, devido ao empenhamento que o IDC colocou na mediação entre todos os parceiros sociais envolvidos».

O Sindicato de Estivadores decidiu no último dia de janeiro prolongar as greves no Porto de Lisboa até ao dia 24 de fevereiro após um plenário com os trabalhadores.

Os estivadores estão contra o recurso a trabalhadores precários na carga e descarga de navios depois de terem sido despedidos 47 profissionais em 2013.

Durante esta semana os estivadores de Lisboa têm paralisado das 08:00 às 10:00.