O número de empresas em Portugal aumentou 3% entre 2012 e 2013, para cerca de 1,1 milhões de unidades, mas o volume de negócios e o pessoal ao serviço diminuíram 1,9% e 0,9%, respetivamente, divulga hoje o INE.

“No período entre 2010 e 2013, marcado pelo programa de ajustamento económico acordado entre o Governo português, o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia (UE) a partir de 2011, assistiu-se ao decréscimo dos principais indicadores macroeconómicos num cenário de moderado crescimento na União Europeia”, lê-se na publicação “Empresas em Portugal 2013” do Instituto Nacional de Estatística (INE).


O documento - que atualiza os principais indicadores caracterizadores da estrutura e evolução do setor empresarial português para o período 2010 a 2013, obtidos a partir do Sistema de Contas Integradas das Empresas (SCIE) – aponta que, em 2013, existia um total de 1.119.447 empresas em Portugal, mais 3% do no ano anterior.

Ainda assim, refere, a faturação e o emprego gerados recuaram 1,9% e 0,9%, respetivamente, tendo esta redução sido mais significativa nas empresas financeiras (-10,7% e -3,0%, respetivamente) que nas não financeiras (-0,7% e -0,8%).

O INE reporta ainda um “ténue aumento” da proporção de empresas de elevado crescimento e do seu peso no Valor Acrescentado Bruto (VAB) total (0,2 pontos percentuais, em ambos os casos), enquanto o peso das sociedades com perfil exportador “continuou a aumentar”.

Considerando o período entre 2010 e 2013, o volume de negócios e o pessoal ao serviço registaram um decréscimo médio anual de 3,6% e 3,3%, respetivamente.

Neste triénio, o recuo anual médio dos principais indicadores económicos foi mais significativo nas empresas financeiras do que nas não financeiras, nomeadamente no que diz respeito ao número de empresas (-2,5% contra -1,4% das não financeiras), ao volume de negócios (-7,4% contra -3,1%) e ao VAB (-9,0% contra -4,9%).

Segundo o INE, em 2013 o nascimento de empresas em Portugal aumentou “de forma muito significativa”, sobretudo devido ao crescimento dos nascimentos de empresas individuais (57,0%), explicado “na sua maioria pela obrigatoriedade de registo nas finanças de todos os agricultores com atividade comercial”.

É que, refere, excluindo o setor da agricultura e pescas manteve-se o aumento dos nascimentos de empresas individuais (12,4%) e de sociedades (18,4%) face a 2012, tendo-se ainda observado um “ténue aumento” das empresas de elevado crescimento em 2013.

No setor não financeiro, reporta o INE, existiam em 2013 um total de 957 grandes empresas que foram responsáveis por 41,2% do volume de negócios, sendo que o VAB cresceu nas pequenas e médias empresas 1,2% e 1,0% respetivamente, e decresceu 0,9% e 0,7% nas micro e nas grandes empresas.

Entre 2010 e 2013 observou-se um decréscimo do VAB e do pessoal ao serviço, “particularmente acentuado” no setor da construção e atividades imobiliárias.

Restringindo a análise às sociedades não financeiras, observou-se um decréscimo de 3,4 pontos percentuais na proporção de sociedades com resultados líquidos em 2013, para os 47,7%, tendo atingido um valor de 11,6 mil euros por sociedade (face a -1,2 em 2012).

Já a autonomia financeira das sociedades não financeiras subiu 0,01 para os 0,30 entre 2012 e 2013, “regressando ao nível de 2010”.

Entre os vários setores de atividade, o instituto destaca “pela negativa” o alojamento e restauração, cujo rácio se reduziu de 0,30 para 0,20 entre 2010 e 2013.

Quanto à taxa de investimento, em 2013 aumentou “de forma positiva” na maior parte dos setores de atividade, enquanto os gastos em investigação e desenvolvimento como percentagem do VAB decresceram 0,2 pontos percentuais para os 0,7%.

O INE nota ainda que o peso das sociedades com perfil exportador aumentou entre 2010 e 2013, tendo estas unidades evoluído “de forma mais positiva” que as não exportadoras em 2013, apresentando um aumento do excedente bruto de exploração por sociedade superior ao das não exportadoras.