Maude Queiroz Pereira renunciou ao cargo de vogal no Conselho de Administração da Semapa, anunciou hoje o grupo liderado pelo seu irmão, Pedro Queiroz Pereira.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Semapa avança que «Maude Mendonça de Queiroz Pereira Lagos renunciou, no dia 05 de dezembro de 2013, ao exercício de funções de vogal do Conselho de Administração».

O comunicado ao regulador surge depois de, na semana passada, a imprensa ter noticiado que os dois irmãos tinham chegado a um acordo que pôs termo a um diferendo familiar pelo controlo da Semapa, que se arrastava há meses e que envolveu o Grupo Espírito Santo (GES).

O acordo, segundo a imprensa, envolveu a venda das posições de Maude Queiroz Pereira nas 'holdings' que controlam a Semapa - Cimigest (18,5%), Sodim (4,9%) e Cimipar (40%) -, por um valor inferior a 100 milhões de euros.

A 01 de novembro, o GES e a Sodim, holding da família Queiroz Pereira, já tinham anunciado um entendimento que colocou «fim a todas as disputas que vinham mantendo entre si».

Num comunicado conjunto, o GES e o Grupo Queiroz Pereira afirmam, na altura, que «as partes acordaram o descruzamento das participações sociais que mantinham», sem revelarem os valores.

Nos termos do acordo, Queiroz Pereira deixou de ser acionista da ES Control, uma das holdings [gestora de participações] da família Espírito Santo, e o GES saiu da Cimigest e da Sodim.

O Fundo de Pensões do BES manteve, contudo, a participação de 10% que já detinha no capital social da Sodim.

No final de agosto, o jornal Expresso noticiou que uma alteração de participações na estrutura de controlo do Grupo Semapa estava «a provocar uma guerra de poder sem precedentes na família Queiroz Pereira, envolvendo diretamente o GES».

Na origem do diferendo estava, segundo o semanário, a venda de 10% da Cimigest por parte da Cimipar à Sodim.

A venda dos 10% estava a ser contestada pelo GES, por Maude Queiroz Pereira e pelos primos Carrelhas e Pardal.

A Semapa é responsável pela gestão indireta de participações em três áreas de negócio: papel e pasta de papel (através da participação no Grupo Portucel), cimentos e derivados (participações no Grupo Secil) e ambiente (participação no Grupo ETSA).