O ministro da Defesa, Aguiar Branco disse esta segunda-feira que o Governo quer vender o ferry boat Atlântida através de um «concurso público internacional», apesar de terem sido apreendidos documentos daquele navio à luz de uma penhora.

Aguiar Branco acrescentou que esse problema «não irá inviabilizar» a venda desse navio.

O governante falava à margem de uma visita à Capitania do Porto do Douro, onde ouviu uma exposição sobre os danos que o mau tempo causou este ano na região, bem como sobre a atividade desenvolvida por aquele organismo.

Os documentos daquele navio foram apreendidos pela Polícia Marítima devido uma penhora lançada pela empresa pública Atlânticoline, responsável pelos transportes marítimos dos Açores, de acordo com fonte dos estaleiros de Viana, proprietários do Atlântida.

A ação, explicou hoje a mesma fonte, foi desenvolvida pela Polícia Marítima de Viana do Castelo na passada sexta-feira e implicou a apreensão dos documentos do Atlântida, nomeadamente do título de propriedade do navio, no âmbito do processo de penhora movido pela Atlânticoline.

Os documentos agora apreendidos ficam à ordem do Tribuna de Execução de Lisboa até à resolução do processo, em que a empresa dos Açores reclama aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) uma dívida de 7,8 milhões de euros, acrescida de juros desde 2011.

«É uma situação que herdamos do anterior Governo» e que, segundo frisou Aguiar Branco, também teve «consequências dramáticas» para os Estaleiros de Viana do Castelo (ENVC), que acumulou um prejuízo de mais de 70 milhões de euros.«Infelizmente, não temos encontrado parte dos Açores, da Atlânticoline, uma colaboração para essa solução. Nós vamos encontrá-la», acrescentou.

O navio será vendido por concurso público internacional, pelo melhor preço possível e liberto desse ónus, disse ainda o ministro.

«Quem comprar não vai comprar com esta parte da dívida», que nesse momento estará «liquidada», realçou.