O Banco Caixa Geral (BCG), filial espanhola da Caixa Geral de Depósitos (CGD), quer realizar um corte de um terço no seu número de trabalhadores e na sua rede de escritórios, segundo dados remetidos aos sindicatos, informaram à Lusa fontes sindicais.

As fontes explicaram que uma proposta nesse sentido foi apresentada numa reunião que a direção do BCG manteve na terça-feira em Madrid com representantes dos trabalhadores.

O corte previsto abrangeria 286 empregados e 63 escritórios e é necessário, segundo as mesmas fontes, para cumprir as condições impostas por Bruxelas pelas ajudas públicas de 1.650 milhões de euros recebidas pela CGD.

Fonte oficial do BCG em Madrid confirmou que na terça-feira decorreu em Madrid uma «reunião preliminar com representantes dos trabalhadores, dentro do quadro da lei, para iniciar o processo de reestruturação do BCG».

Essa fonte remeteu comentários adicionais para a CGD, tendo uma fonte oficial da CGD em Lisboa dito à Lusa que se tratou de uma «obrigação legal que decorre do processo de reestruturação do BCG, como consequência, do processo de reestruturação da CGD».

Os sindicatos (a Confederação Intersindical Galega, ACB, CIG COMFIA-CCOO, FES-UGT, e a Associação de Quadros de Banca) rejeitaram a proposta apresentada, devendo as negociações ser retomadas na próxima segunda-feira.

Fontes sindicais criticam o facto do BCG estar a avançar com mais despedimentos um ano depois de um processo idêntico, tendo na altura destacado a estabilidade dos empregos que permaneciam.

Recorde-se que no ano passado, saíram do BCG, segundo os sindicatos, 175 trabalhadores, através de pré-reformas e baixas indemnizadas ¿ num processo idêntico ao que poderia ser usado para o novo corte.

Trata-se de um «Expediente de Regulação de Emprego» (ERE), usado em Espanha para despedimentos coletivos acordados.

Atualmente o BCG conta com uma rede de 173 escritórios em todo o território espanhol e um total de 797 empregados, pelo que o corte representaria mais de um terço dessa rede.

O BCG registou perdas de 400 milhões de euros em 2012, a que se somam perdas adicionais de 181,6 milhões de euros no primeiro semestre deste ano.