O coordenador da União de Sindicatos de Viana do Castelo disse esta terça-feira que o relatório que conclui que o Governo não teve «qualquer alternativa» relativamente aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) «não é uma grande surpresa».

Estaleiros: Governo «não teve alternativa» face a investigação europeia

«A União de Sindicatos de Viana do Castelo (USVC) estava à espera destas conclusões, pese embora nunca tivéssemos concordado com essa posição porque entendemos que deveriam ter sido encontradas outras soluções, nomeadamente, uma parceria público-privada», disse Branco Viana à agência Lusa.

De acordo com o sindicalista, a solução de uma parceria público-privada «daria garantias de que o futuro da construção naval ficaria assegurado».

«Face à entrega da empresa pública à iniciativa privada, essa garantia é mais falível», sustentou o sindicalista.

O relatório da comissão de inquérito aos ENVC a que a agência Lusa teve acesso conclui que o atual Governo «não teve qualquer alternativa» quanto à forma de lidar com os auxílios estatais à empresa, que classifica como «ilegais».

«A posição da Comissão Europeia não deixou ao Governo qualquer alternativa quanto à forma de lidar com a questão dos auxílios passados», refere o relatório da comissão de inquérito para «apuramento das responsabilidades pelas decisões que conduziram ao processo de subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo».

Segundo Branco Viana, a subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC pelo Governo ao grupo Martifer «acabou por ser um mal menor», considerando ser agora «necessário criar condições» para que a West Sea, empresa criada pela Martifer para gerir a subconcessão, «subsista e encontre encomendas por muitos e longos anos, para garantir cada vez mais postos de trabalho na região».

Em declaraçõrs na segunda-feira passada à agência Lusa, o coordenador da USVC disse que o número total de ex-trabalhadores dos estaleiros navais a integrar os quadros da West Sea poderá ultrapassar a centena, até final ano.

«Nesta altura, são cerca de 60 os ex-trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo que já integram os quadros da West Sea, com perspetivas de, a curto prazo, se concretizarem mais cerca a 60 contratações. Até final do ano o número total deverá ultrapassar a centena», adiantou Branco Viana.

O sindicalista admitiu que nesta fase de arranque da empresa subconcessionária dos terrenos e infraestruturas dos ENVC, a contratação dos antigos trabalhadores da empresa pública iria ser «muito reduzida», mas sublinhou que «os que já assinaram contrato estão com salários idênticos aos que tinham aquando da saída dos estaleiros».

«Sabíamos à partida que só a médio prazo se atingiria um número de contratações razoável. Para isso é preciso tempo e tudo está a caminhar nesse sentido, desde os investimentos à recuperação de equipamentos», frisou Branco Viana, citado pela Lusa.

De acordo com Branco Viana, esta semana entrou um segundo navio para reparação pela West Sea, o que, no seu entender, é «um bom sinal».

O sindicalista vincou que, se aposta na construção naval avançar, no próximo ano a West Sea «poderá vir a contratar mais algumas centenas» de antigos trabalhadores da empresa pública, ainda em fase de liquidação.