A construção dos navios militares deu um prejuízo de cerca de 17 milhões de euros aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, que não estavam preparados para os construir, revelou esta terça-feira a atual administração.

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«Com dados provisórios porque as contas não estão totalmente fechadas, com o NPO Viana do Castelo cuja entrega já é definitiva e com o NPO Figueira da FOZ, com a entrega provisória, estamos a falar em números redondos de 17 milhões de euros de prejuízo», afirmou José Luís Serra, responsável pela área financeira no conselho de administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

O gestor respondia ao deputado e presidente da comissão de Defesa Nacional, Matos Correia, que pediu esclarecimentos sobre a referência a prejuízos de «em média 18 por cento» nas construções militares nos ENVC, feita pelo presidente do conselho de administração, Jorge Camões, numa intervenção inicial naquela comissão parlamentar.

«Como é que é possível que também tenham dado prejuízo os patrulhões. Culpa de quem? Em Portugal a culpa morre solteira mas há limites. Não consigo entender como é que estando duas empresas públicas a negociar, deram prejuízo. De quem é a culpa? De quem é que é a responsabilidade?», questionou o deputado social-democrata.

Sem atribuir responsabilidades e admitindo que o contrato tenha sido feito com a melhor das intenções para ambos os lados, José Luís Serra afirmou que o contrato dos patrulhões para a Marinha começou por ser «uma excelente oportunidade» para os ENVC entrarem num segmento de mercado que até aí lhes estava vedado - construção de navios militares - mas «transformou-se num problema não só financeiro e muito difícil de gerir».

O gestor afirmou que os ENVC «como organização, não estavam suficientemente preparados para cumprir aquele contrato» o que, disse, «foi comprovado pelos atrasos significativos».

José Luís Serra disse que os problemas «começaram desde logo pela definição do navio», pela avaliação das capacidades do Estaleiro e pela definição do modelo de contrato e de construção do navio.

O administrador referiu cinco anos de atraso para o NPO Viana do Castelo e oito anos de atraso para o NPO Figueira da Foz.

Apesar do prejuízo, considerou, os trabalhadores e a equipa de gestão «ganharam competências».

«Foi uma aprendizagem que ficou cá. O sistema de propulsão, comunicações, uma série de valências que nós não tínhamos e que apesar de terem saído relativamente caras ao país, ficaram em Viana do Castelo», disse.