A União de Sindicatos e a Associação Empresarial de Viana do Castelo consideraram esta quarta-feira ser «cedo para tirar conclusões» sobre o impacto do fecho dos estaleiros navais locais e da sua subconcessão ao grupo Martifer.

«É cedo porque os trabalhadores têm o pé-de-meia das indeminizações e têm os subsídios de desemprego. Seria uma irresponsabilidade fazer agora um balanço deste processo», afirmou hoje à agência Lusa Branco Viana, coordenador da estrutura sindical.

Na quinta-feira completam-se seis meses da assinatura do contrato de subconcessão dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) ao grupo Martifer, que decorreu no forte de São Julião da Barra, em Oeiras.

De acordo com o sindicalista, a existirem motivos de «preocupação social», será dentro de dois anos, quando «muitos trabalhadores deixarem de receber os subsídios de desemprego».

«Nessa altura, cerca de 150 a 200 trabalhadores passarão à reforma, mas teremos seguramente perto de 400 trabalhadores que terão que encontrar um emprego», sustentou.

Para Branco Viana, o cenário de «catástrofe social» que antecipou durante os dois anos de luta dos trabalhadores pela manutenção dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo depende do desempenho da nova subconcessionária.

«Uma catástrofe social seria o fim do setor naval na região. Neste momento, a Martifer está a refazer a atividade e, se começar a apostar na construção naval, esse cenário será praticamente anulado. Se ficar apenas com meia dúzia de trabalhadores para reparação de navios vamos ter esse problema acrescido a médio prazo. Até lá não podemos fazer futurologia», adiantou.

Contatada pela Lusa, a Associação Empresarial também admitiu «ser ainda prematuro» analisar os efeitos deste processo.

«Há pelo menos uma grande conclusão a retirar deste caso. Os mais pessimistas e os mais otimistas saíram defraudados», adiantou Luis Ceia, presidente da instituição.

Para o mesmo responsável, os estabelecimentos comerciais situados nas proximidades dos ENVC, sobretudo do setor da restauração, foram, no imediato, os mais afetados com o encerramento da empresa pública.

Um cenário que não tem sido contrariado com a rapidez que Luís Ceia considera desejável face à «retoma lenta da atividade naval» da nova subconcessionária.

A Comissão Europeia abriu, em janeiro de 2013, uma investigação aprofundada para verificar se «as numerosas medidas de apoio público» concedidas por Portugal aos estaleiros de Viana cumprem as regras de auxílios estatais da União Europeia.

Bruxelas estima que os estaleiros navais tenham beneficiado, no total, de um montante superior a 180 milhões de euros entre 2006 e 2011.

Na sequência do procedimento lançado por Bruxelas, o Governo português decidiu, em abril de 2013, encerrar o processo de reprivatização dos ENVC lançado em 2012.

Em alternativa, anunciou a subconcessão dos terrenos e infraestruturas da empresa pública. Um processo concluído no passado dia 02 de maio, quando a Martifer, grupo português que venceu o concurso público lançado pelo Governo, iniciou atividade em Viana do Castelo.

Pela subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos estaleiros até 2031, a nova empresa, West Sea, criada pelo grupo Martifer, pagará ao Estado uma renda anual de 415 mil euros.