A administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) decidiu alargar até quarta-feira o prazo de venda do Atlântida, navio que o Governo dos Açores encomendou e depois rejeitou, disse à Lusa fonte da empresa pública.

A decisão, de acordo com a mesma fonte, ficou a dever-se ao incumprimento por parte da Thesarco Sipping do prazo, que hoje terminou, para o pagamento de quase 13 milhões de euros como consta da proposta que a empresa grega apresentou ao concurso público internacional lançado em março passado.

«A administração dos ENVC notificou esta segunda-feira a Thesarco Shipping de que têm até quarta-feira, às 15:00, para efetuar o pagamento dessa verba. Caso não o faça, serão acionadas outras medidas», explicou a fonte.

A proposta do armador grego foi a melhor das três que se apresentaram ao concurso público internacional lançado pela administração dos ENVC, que tinha como único critério a melhor proposta financeira.

A mesma fonte adiantou à Lusa que, em caso de incumprimento do novo prazo hoje anunciado, o programa de procedimento prevê a possibilidade de adjudicação do navio ao segundo classificado, a Mystic Cruises, do grupo Douro Azul (cruzeiros turísticos) por um valor que ronda os oito milhões de euros.

O navio foi colocado à venda pela administração dos ENVC através de concurso público internacional lançado a 11 de março.

Concorreram três empresas, a Mystic Cruises, do grupo Douro Azul (cruzeiros turísticos), o consórcio MD Roelofs Beheer BV e Chevalier Floatels BV (empresas holandesas representadas por um grupo espanhol) e os gregos da Thesarco Shipping.

A proposta mais baixa foi a dos holandeses que ronda os quatro milhões de euros.

O júri do concurso foi presidido por um elemento da Inspeção-Geral de Finanças, integrando ainda representantes da Direção-Geral do Tesouro e Finanças e da Direção-Geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa.

O navio foi construído nos ENVC, por encomenda do Governo dos Açores, que depois o rejeitaria em 2009 devido a um nó de diferença na velocidade máxima contratada.

Concluído desde maio desse ano, o Atlântida está avaliado em 29 milhões de euros no relatório e contas dos ENVC de 2012, quando deveria ter rendido quase 50 milhões de euros.

Os ENVC estão em processo de liquidação, tendo os terrenos e infraestruturas sido subconcessionadas ao grupo privado Martifer, que criou para o efeito a West Sea. A nova empresa tomou posse em maio e já contratou mais de 60 ex-funcionários da empresa pública.