A multinacional alemã do setor eólico Enercon vai instalar em Viana do Castelo, no próximo ano, um centro de competências para formar técnicos do grupo, provenientes de várias unidades do sul da Europa, anunciou a administração.

O administrador do grupo em Portugal, Francisco Laranjeira, explicou, citado pela Lusa, que o projeto está «em desenvolvimento» e deverá ser implementado durante o ano de 2014 num dos polos industriais da multinacional em Viana do Castelo.

«Vamos centralizar em Viana do Castelo a área de formação e desenvolvimento profissional dos técnicos ligados às assistências e todas as especializações que coexistem nas diferentes fábricas, nos vários setores», acrescentou o responsável.

As cinco fábricas construídas pela Enercon no concelho de Viana do Castelo desde 2007 empregam cerca de 1.400 trabalhadores, pelo que aquela multinacional é já o maior empregador privado do Alto Minho.

Segundo Francisco Laranjeira, o grupo alemão já instalou em Portugal mais de mil aerogeradores de fabrico próprio, num total de 2.500 megaWatts (MW). A Enercon representa por isso mais de metade da capacidade total instalada em todo o país (4.500 MW), em termos de aproveitamentos eólicos.

«Para isso é preciso ter equipas de assistência que estão posicionadas em diversos locais do país para facilmente acudirem e darem resposta às necessidades de assistência técnica desses parques», explicou o administrador do grupo em Portugal.

Este centro de competências, acrescentou, servirá ainda como «base da formação» para os técnicos da Enercon integrados nas fábricas e nos serviços de assistência da empresa nos países do sul da Europa mais próximos de Portugal.

Entretanto, a Enercon já começou a produzir em Viana do Castelo o novo aerogerador alemão E-92, considerado como um dos mais avançados do mundo, após um investimento de 10 milhões de euros no alargamento e modernização de duas das fábricas atuais.

A partir de outubro, as fábricas de Viana do Castelo passarão a produzir apenas este novo modelo. Com uma potência de 2,3 MW, visa substituir o anterior E-82, que é de 2MW, sendo por isso mais rentável para a produção de energia elétrica em determinados locais.

«As pás de rotor passam de 41 para 46 metros de comprimento. Permite um maior varrimento do vento, rentabilizando melhor locais que podiam não ter um potencial eólico tão grande», disse ainda.

A Enercon revelou ainda que Portugal é já o terceiro pais do mundo com a maior potência eólica instalada por habitante (430W por habitante), logo atrás de Espanha e do líder da tabela, a Dinamarca.

«Talvez Portugal consiga chegar este ano ao segundo lugar», enfatizou o administrador da Enercon.