A Asibel Construções S.A., com sede no concelho da Batalha, anunciou que vai pedir a insolvência, numa carta dirigida aos cerca de 180 funcionários e à qual a agência Lusa teve acesso.

A empresa admite existirem três meses de salário em atraso e o falhanço de negociações com a banca para resolver os problemas de tesouraria, informando ainda que o pedido de insolvência no Tribunal de Porto de Mós prevê um plano de recuperação.

Hoje, junto dos trabalhadores que se encontram desde sexta-feira à frente da empresa, o deputado do PCP à Assembleia da República Bruno Dias exigiu «uma intervenção urgente» por parte da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).

«Estamos perante uma situação que exige resposta concreta por parte da ACT, mas também das estruturas da economia e, quiçá, da própria Autoridade Tributária», afirmou, sustentando que na Asibel «está a ser transferido equipamento e património».

O parlamentar reivindicou «uma ação no terreno por parte das entidades responsáveis para que as situações relatadas pelos trabalhadores não passem imunes, (¿) até porque esta é uma empresa que tem trabalho, mas funcionários parados, sob a ameaça inexplicável do desemprego».

Na carta envida aos funcionários, o proprietário e diretor-geral da Asibel informou que «será expectável que a muito curto prazo seja nomeado um administrador de insolvência, o qual esclarecerá todas as dúvidas sobre o acesso às prestações do subsídio de desemprego e do Fundo de Garantia Social relativamente aos contratos que já cessaram ou vieram a cessar».

Por outro lado, Álvaro Jacinto garantiu que a atual «administração disponibiliza-se a entregar a documentação necessária à obtenção de prestações de desemprego aos trabalhadores que optem desde já por rescindir os seus contratos de trabalho».

Na sexta-feira, mais de 50 trabalhadores concentraram-se à porta da empresa Asibel no concelho da Batalha para reclamar o pagamento dos salários de abril, maio e junho, explicou à Lusa Manuel Costa Cardoso, motorista de pesados que está na empresa há 12 anos, e assume o papel de porta-voz na ausência de uma comissão de trabalhadores e de um delegado sindical.

«Em dezembro disseram-nos que nunca tinham faturado tanto, qualquer coisa como 26 milhões em 2012. Em abril pediram-nos para atrasar o pagamento do salário de março, para que se pudesse comprar material para as obras e agora nem temos material nem ordenados», lamentou o funcionário, que diz temer a deslocalização da empresa.

«Começaram a fazer investimentos, sobretudo em Marrocos e se calhar agora esta [empresa] é para morrer, porque se fatura mais lá fora», sustentou.

A Asibel, fundada em 1979, está ligada ao setor da construção civil e obras públicas, empregando cerca de 150 funcionários.

Na sua página na Internet, a última informação sobre a aposta na internacionalização referia que empresa previa em 2011 garantir «uma faturação naquele país num valor acima dos 10 milhões de euros».