O grupo Soares da Costa e o empresário António Mosquito anunciaram esta terça-feira que concluíram o processo que consiste na aquisição de 66,7% da construtora por este último, confirmada em assembleia geral em setembro.

Em comunicado, António Mosquito confirmou a conclusão do processo, que passa por um aumento de capital de 70 milhões de euros, e acrescentou que o acordo «permitirá não só dotar a construtora com os meios financeiros necessários para prosseguir a sua atividade como também, por via da capacidade empresarial do novo acionista, reforçar a sua presença no mercado africano».

Por seu lado, o grupo Soares da Costa, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), informou que foram hoje assinados dois acordos com

António Mosquito, através da sociedade de direito luxemburguês GAM Holdings, que definem o aumento de capital e os termos da parceria estratégica entre as duas partes.

O comunicado do grupo sediado no Porto indica que o aumento de capital e a entrada em vigor dos documentos deverão ocorrer até ao final do ano.

«Reitera-se que o conselho de administração mantém um forte empenho na restruturação financeira da grupo Soares da Costa, assumindo a operação especial importância nesse contexto», refere o texto.

No final de setembro, o presidente executivo do grupo Soares da Costa, António Castro Henriques, disse que o grupo estava já na posse de uma garantia bancária de 70 milhões de euros, o cumprimento da obrigação assumida pelo novo investidor.

O presidente do conselho de administração, António Gomes Mota, disse, também em setembro, que a entrada do novo investidor, que ganha o controlo do setor da construção da Soares da Costa, onde está a quase totalidade dos 4.500 trabalhadores do grupo, significa que se passa «de uma grande empresa de construção em grandes dificuldades financeiras para uma grande empresa que passa a ter uma estrutura de capitais mais forte, uma estrutura de endividamento menos asfixiante, fundo de maneio para desenvolver as atividades e um reforço de posição num mercado particularmente importante como o de Angola».

A proposta de capitalização da Soares da Costa, que torna António Mosquito acionista maioritário, permite-lhe escolher cinco dos sete membros do conselho de administração, mas o grupo tem que concordar com operações como a alienação de participações.

O acordo, divulgado ao mercado a 19 de agosto, exige ainda que a construtora Soares da Costa mantenha o controlo da sucursal em Angola, que, no final de junho, representava quase metade das obras em carteira ¿ 525 milhões de euros em 1,1 mil milhões.

Nos primeiros seis meses do ano, período em que a empresa teve prejuízos de nove milhões de euros, que comparam com 14 milhões de euros do período homólogo, Angola foi o principal mercado internacional do grupo português.