O Banif vai lançar um aumento de capital privado e uma operação de troca de obrigações por ações para diminuir o peso do Estado no capital do banco, anunciou o presidente do banco esta segunda-feira.

Em janeiro, o Banif recebeu 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos (700 milhões em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações [as chamadas CoCo bonds], no âmbito do processo de recapitalização que deixou o Estado com o controlo de cerca de 99% da instituição. Na sequência desta operação, ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros, para que o Estado veja a sua participação reduzida a 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto.

O Banif deu ontem conta dos resultados da operação de aumento de capital que lançou no início do mês, em que foram subscritos a totalidade de 100 milhões de euros em ações (cada uma foi emitida a 1 cêntimo), o que, a somar-se aos 100 milhões de euros subscritos em junho pelos principais acionistas Banif ( holding Rentipar, através da Açoreana Seguros, e grupo Auto-Industrial), deixa o Estado com 68,393% do capital social do banco.

No entanto, apesar de o Banif já ter ido buscar 200 milhões de euros a investidores privados, ainda lhe faltam 250 milhões de euros para sair do controlo do Estado.

Hoje, o presidente do Banif disse aos jornalistas que o banco já tem «operações em curso, estruturadas, para conseguir esse objetivo» de conseguir os restantes 250 milhões de euros.

Jorge Tomé adiantou que a administração que lidera tem a intenção de levar a cabo um aumento de capital por «oferta privada», onde poderão «aparecer acionistas estratégicos» para o Banif, e «uma operação de troca de obrigações subordinadas por ações».

«Para parte dos 250 milhões de euros já há calendário e no decurso dessas operações aparecerão investidores relevantes», acrescentou o presidente executivo do Banif, que não quis adiantar mais pormenores, nem sobre as operações, nem sobre o prazo em que as espera concretizar.

Jorge Tomé disse apenas que já contactou com investidores interessados em participar na oferta privada.