O presidente da Associação Portuguesa de Bancos afirmou, numa declaração à Lusa a propósito dos problemas existentes no BES, confiar «em absoluto» que a nova administração ultrapasse a situação que a crise do GES provocou no banco.

Os novos membros do conselho de administração do BES «aliam aos seus reconhecidos currículos, competência e credibilidade, um perfil de grande integridade e de capacidade de execução, o que, a par da qualidade e profissionalismo dos quadros do banco, fazem com que confie em absoluto na ultrapassagem dos problemas que a crise do Grupo Espírito Santo provocou no banco», disse Fernando Faria de Oliveira

«O dano de imagem, agora introduzido, afetando uma trajetória que estava a ser prosseguida pelos bancos portugueses, com muito esforço e com sucesso, implica a reiteração do comprometimento do setor no reforço da governance e nas exigências comportamentais, com grande foco na ética e nos clientes», acrescentou.

Faria de Oliveira alertou que, dos resultados divulgados na quarta-feira à noite pelo BES, «devem separar-se os provenientes da atividade corrente do banco dos originados por eventos extraordinários, designadamente os relativos à exposição ao Grupo Espírito Santo».

«Saliento que os resultados provenientes da atividade corrente do BES, -255,4 milhões de euros, representam um agravamento de apenas 7,6% em relação ao período homólogo do ano anterior, -237,4 milhões de euros, justificados por um reforço de provisões, nomeadamente para crédito e também títulos, já que o resultado bruto, sem os feitos

extraordinários, melhorou 22%», apontou o presidente da APB.

«Os fatores excecionais responsáveis pelo resultado do exercício de -3.577 milhões de euros ficaram, principalmente, a dever-se à constituição de provisões para fazer face à sobreexposição perante as empresas do Grupo Espírito Santo. Como já explicado, uma parte importante das perdas fica a dever-se a factos só agora conhecidos e identificados», acrescentou.

Faria de Oliveira lembrou que o Banco de Portugal e a nova administração do banco «já tomaram ou anunciaram medidas ou ações que irão permitir fazer face aos problemas decorrentes daquelas circunstâncias extraordinárias, nomeadamente as que passarão por um plano de recapitalização».

Este plano «será preferentemente efetuado com recurso a soluções de mercado, potencialmente a fundos privados, mas continuando disponível a linha de recapitalização pública criada no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira para suportar eventuais necessidades de capital do sistema bancário, o que salvaguarda em absoluto a solidez da instituição».

O presidente da APB apontou, aludindo ao comunicado do Banco de Portugal, enviado na quarta-feira à noite, que o supervisor «reitera que estão reunidas as condições necessárias à continuidade da atividade desenvolvida pela instituição e à plena proteção dos interesses dos depositantes».

Faria de Oliveira reiterou que o BES «é uma instituição de referência do sistema bancário português, muito importante para a economia, com elevada quota no financiamento das empresas».

Para o presidente da APB, «uma banca forte, moderna e confiável, que o país necessita e tem vindo a ser construída, tem como condições também necessárias, que os bancos assumem, o imperativo ético e as boas práticas».