Os credores da Ambar têm 10 dias a partir desta terça-feira para decidir se aprovam ou não o plano de recuperação da empresa, que prevê a entrada da Explorer Investments ¿ Sociedade de Capital de Risco no seu capital.

Na assembleia de credores da emblemática empresa de produtos de papelaria do Porto, que decorreu no Tribunal do Comércio de Gaia, ficou definido que os credores têm 10 dias para votar por escrito o plano de recuperação da empresa hoje apresentado, que conta com «alterações» face ao que foi ali entregue em finais de setembro.

O administrador judicial nomeado pelo tribunal, Armando Rocha Gonçalves, afirmou não ter «nada a opor» a este plano de recuperação, bem como ao aumento de capital a fazer por parte deste fundo.

José Nogueira, representante da atual administração, que é liderada pelo diretor de recursos humanos e diretora financeira da Ambar ¿ nomeados pelo tribunal «administradores da devedora, fiscalizados pelos administradores de insolvência» -, referiu que a Explorer Investments equaciona investir até um máximo de 4,5 milhões de euros para promover o crescimento e modernização da atividade da empresa.

«Para isso, não é possível manter a Ambar como estava», disse, adiantando que em nada foi alterada a componente dos trabalhadores, mantendo-se 104 dos 142 postos de trabalho, mas que é «pedido a todos os credores um sacrifício em prol da continuidade da empresa».

É que o investidor «impõe como primeira condição» que a Ambar passe a ter capitais próprios mínimos de 100 mil euros, bem como que «a dívida financeira seja reduzida a 3,5 milhões de euros», o que implica um perdão do valor correspondente a 62% dos créditos reclamados, advertiu.

O administrador de insolvência Rocha Gonçalves alertou para o facto de este plano prever a revogação do contrato de locação imobiliária celebrado com o BCP e a entrega ao mesmo credor do imóvel da Ambar, «o bem de maior valor que a empresa tinha».

«Se [o plano de insolvência com vista à recuperação] for aprovado, esse bem desaparece e fica afeto ao BCP», sustentou Rocha Gonçalves.

José Nogueira frisou que, «em liquidação, todo o estabelecimento da Ambar valeria cerca de três milhões de euros» e que a proposta que está em cima da mesa prevê que, pela revogação do contrato de leasing e entrega do imóvel, o BCP dê quitação de 3,3 milhões de euros aos créditos em dívida, fixando a dívida remanescente em 500 mil euros, valor a amortizar em prestações mensais.

«Só na continuidade da empresa se poderá gerar riqueza para pagar aos fornecedores e trabalhadores», sustentou Nogueira, pedindo que «seja dada esta oportunidade à Ambar».

O juiz Sá Couto entendeu que o voto deve ser feito por escrito, em 10 dias, para que os credores, em especial os trabalhadores, tenham tempo para refletir, advertindo que se não houver votos favoráveis que somem 66,66% «o plano naufraga e aplica-se o encerramento do estabelecimento e a liquidação à Ambar».

Três dos mais de cem trabalhadores presentes na assembleia optaram por de imediato votar a favor do plano de recuperação da empresa, enquanto outros defenderam que a listagem dos funcionários que serão despedidos devia ser já conhecida.

Fundada em 1939 pelo comendador Américo de Sousa Barbosa, a Ambar chegou a faturar mais de 30 milhões de euros, mas a atual administradora (filha do fundador) vinha a ser muito criticada, sendo-lhe atribuída a «lamentável proezxa de passar de 20 milhões de euros faturados em 2010 para seis milhões em 2012».

Esta situação levou um grupo de 30 trabalhadores a apresentar, em fevereiro, um pedido de insolvência com vista à recuperação da empresa, acusando a herdeira do fundador de «incapacidade pessoal, técnica e profissional».