O Governo timorense assina nas próximas semanas um contrato de 2,3 milhões de dólares (1,67 milhões de euros) com o grupo Águas de Portugal para o saneamento e drenagem de águas pluviais de Díli, informou o ministro responsável.

«Escolhemos a Águas de Portugal (AdP) para implementar uma segunda fase do plano de saneamento e drenagem para a cidade de Díli. O contrato deveria ser assinado nos próximos dias, mas infelizmente não podemos fazer isso por causa de aspetos técnicos. Esperamos poder assinar na próxima semana», disse o ministro das Obras Públicas de Timor-Leste, Gastão de Sousa.

O ministro falava à Lusa no final de uma reunião com a administração do grupo AdP, em Lisboa, durante a qual houve uma «troca de experiências» nos setores da água, saneamento e resíduos sólidos.

«Celebrámos 10 anos de independência e temos de aprender muito. Vamos replicar a vossa experiência em Timor-Leste e por isso escolhemos a AdP», acrescentou o governante timorense, sublinhando que o contrato não exclui o setor dos recursos humanos, nomeadamente a formação do pessoal «especialmente no saneamento básico».

O presidente do grupo, Afonso Lobato Faria, disse por seu lado que o âmbito do contrato é «essencialmente estudar/planear soluções para a rede de drenagem de águas pluviais e águas domésticas».

«Portugal passou nos últimos 20 anos por um processo evolutivo significativo nestas áreas. Temos todo o gosto em partilhar estas experiências», disse o administrador.

Recordando que a Águas de Portugal já esteve presente em Timor-Leste, de onde está ausente desde 2007, Lobato Faria afirmou que o contrato a assinar em breve representa «o reinício de um processo que não deve ser visto só do ponto de vista económico».

De acordo com o Censos de 2010, apenas 66% da população de Timor-Leste tem acesso a alguma forma de água tratada e apenas 39% das pessoas têm acesso a instalações sanitárias melhoradas.

Naquele ano, pode ler-se no Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011-2030, apenas 57% da população rural de Timor-Leste tinha acesso a água e apenas 20% estava coberta pelo saneamento básico, sendo objetivo do Governo aumentar a cobertura de água potável para 75% da população rural e melhorar as instalações de saneamento em 40% das comunidades rurais.

Já nas áreas urbanas, que albergam 30% da população timorense, estima-se que o acesso a sistemas de abastecimento de água seja de 63%, uma taxa que não é homogénea nem representativa da qualidade do serviço.

Em Díli, por exemplo, há 36% de ligações domésticas ao sistema de abastecimento de água registadas e, destas, apenas 22% têm acesso a água 24 horas por dia.

Durante a sua estadia em Portugal, até quinta-feira, o ministro reúne-se ainda com o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia português, Jorge Moreira da Silva, com quem assina um protocolo de entendimento que será «um protocolo chapéu».

«Esperamos que possa ser em breve [complementado] com um plano de ação mais específico», afirmou Gastão de Sousa.

Um encontro de cortesia com o ministro da Economia, António Pires de Lima, uma visita à estação de tratamento de águas residuais do Porto e outra ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil são outros pontos na agenda do ministro.